Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Vale prevê caixa mais gordo e projeta agressiva distribuição de dividendos

Para Schvartsman, a nova política de distribuição de dividendos será "agressiva", porém sustentável

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 21h34

A Vale que há alguns anos era conhecida pelos bilionários investimentos em expansão caminha para reverter o destino de sua geração de caixa para se tornar uma relevante pagadora de dividendos. Com o caixa mais robusto na esteira de preços mais positivos das commodities, a maior fabricante de minério de ferro do mundo caminha para entregar um endividamento até a metade deste ano abaixo de sua meta, de US$ 10 bilhões. Finalizado esse processo, a promessa é de "recompensar" os acionistas da companhia.

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, que assumiu o comando da mineradora em maio do ano passado, diz aos acionistas da companhia que enfrentaram um "longo período de investimentos" e que foram pacientes com a trajetória da empresa, chegou a vez da empresa retribuir. A promessa é que, depois de finalizado o processo de desalavancagem, o excedente de geração de caixa da Vale deve ser destinado ao bolso dos acionistas.

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"Estamos trabalhando para comemorar o fim dessa fase de desalavancagem com o anúncio de uma política de dividendos que visará retribuir os acionistas pela paciência após um longo período de investimento", disse hoje o Schvartsman, a analistas durante teleconferência.

No final do ano passado a dívida da Vale estava em US$ 18,143 bilhões, porcentual 27,5% menor ante o visto um ano antes. Como nesse início de ano o caixa da companhia receberá a injeção de US$ 3,7 bilhões, por conta de venda de ativos e pela entrada do capital do Project Finance do Corredor Nacala, o endividamento terá uma forte corte.

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Para Schvartsman, a nova política de distribuição de proventos será "agressiva", porém sustentável. Nesse momento, a companhia está fazendo a lição de casa e operações de fusões e aquisições (M&A) não estão sendo consideradas. "A licença para investir depende da capacidade de a empresa performar e temos muita coisa à frente antes de chegar a esse momento. Pagaremos um bocado de dividendos de houver excedente de caixa", prevê.

 Com esse novo perfil, como "grande pagadora de dividendos", a Vale quer, ainda, ser mais previsível. Apesar desse adjetivo parecer inadequado para quando se define uma empresa que atua no setor de commodities, o presidente da Vale explica: os resultados da mineradora serão previsíveis independente do preço da commodity, seja ele para cima ou para baixo.

+ Vale tem produção recorde de minério de ferro em 2017  A Vale pode não estar ainda previsível como deseja Schvartsman, mas os relatórios de analistas foram uniformes. Para eles, a Vale mostrou bom resultado, se molda para ser uma empresa previsível e que deve apresentar números robustos para os próximos trimestres. A ação da companhia, no entanto, não acompanhou o otimismo e fechou o pregão com queda de 4,82%, cotada a R$ 45,05.

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