Jarbas Oliveira/Estadão
Jarbas Oliveira/Estadão

Vencedoras de leilão de aeroportos podem dispensar crédito do BNDES

Para superintendente do banco, diante do poder de fogo das empresas no mercado global de crédito, grupos europeus que levaram 4 terminais no País podem abrir mão de recursos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 05h00

RIO - Os três grandes grupos europeus de infraestrutura que arremataram os quatro aeroportos – Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre – concedidos à iniciativa privada em março entraram com pedido de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, a superintendente da Área de Saneamento e Transporte do BNDES, Luciene Machado, afirma que as empresas podem abrir mão dos recursos do banco, diante do poder de fogo dessas companhias no mercado global de crédito.

As empresas – que ganharam os leilões sem se associarem a grupos nacionais – ainda não bateram o martelo sobre os financiamentos. Pelas condições de crédito divulgadas pelo BNDES antes do leilão, os empréstimos da instituição de fomento vão ficar limitados a 40% do valor dos investimentos nas obras.

Para Luciene, a tendência é que as empresas não utilizem os recursos do BNDES ou peçam o empréstimo no valor máximo. Um empréstimo abaixo do limite seria pequeno demais para valer a pena. “O tamanho dos ‘capex’ (investimentos em ampliação de capacidade, no jargão do mercado) envolvidos, para o porte desses grupos, são valores modestos. Isso dá para esses grupos uma possibilidade de escolhas muito grande”, disse a executiva.

Se as empresas deixarem de lado o crédito do BNDES, será mais uma mudança no mercado brasileiro de infraestrutura. O leilão desses aeroportos já havia chamado a atenção pela ausência das grandes construtoras nacionais, atingidas pela Operação Lava Jato, e pelo sucesso das “grifes” do setor aeroportuário mundial.

Juntos, os quatro aeroportos exigirão R$ 3,72 bilhões em outorgas pagas ao governo federal e mais R$ 6,6 bilhões em obras, valores a serem gastos ao longo da concessão, que vai de 25 a 30 anos, conforme o aeroporto. O limite de 40% dos investimentos em obras equivaleria a cerca de R$ 2,6 bilhões, o que dá uma média de R$ 650 milhões por cada terminal aéreo.

Capacidade. O valor é pequeno diante do tamanho dos grupos. A francesa Vinci, que atua em construção e concessões de rodovias e ferrovias, faturou ¤ 38 bilhões ano passado. A Fraport opera 24 aeroportos pelo mundo e teve receita de ¤ 2,586 bilhões em 2016. Já a Zurich faturou 1 bilhão de francos suíços (R$ 3,2 bilhões) ano passado.

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A superintendente do BNDES chamou a atenção para a mudança no perfil dos empreendedores no modelo de concessões dos aeroportos leiloados em março. No modelo dos aeroportos privatizados no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, os operadores eram ligados às empreiteiras. Agora, os vencedores foram companhias de infraestrutura.

Segundo Cláudio Firschtak, sócio Inter.B Consultoria, o modelo atual, ao deixar de fora a estatal Infraero e privilegiar a operação e a prestação dos serviços de infraestrutura, atrai mais financiadores. “Se você é o financiador, para quem prefere emprestar? Para o operador, que conhece o negócio, minimiza dispêndios e foca na eficiência”, afirmou. O modelo anterior, ao privilegiar as empreiteiras, que lucram nas obras, incentivava a construção de “elefantes brancos”, com excesso de capacidade, disse o consultor.

Assim, segundo Frischtak, no novo modelo, a participação do BNDES pode ser diferente, atuando na coordenação, estruturação e nas garantias dos projetos. Segundo Luciene, a definição sobre a participação do banco brasileiro na engenharia financeira dos projetos será tomada ao longo das negociações com as empresas.

A Fraport, que levou as concessões dos aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza, deverá tomar uma decisão até o fim de outubro, disse a executiva. Procurada, a empresa não retornou até o fechamento desta edição.

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A Zurich, que é sócia da CCR na concessão do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, e saiu do leilão de março com a operação do Aeroporto de Florianópolis, pretende definir o financiamento até o fim do ano. Em nota, a concessionária Floripa Airport informou que está “finalizando o levantamento de nossas necessidades de financiamento e quais são as opções disponíveis no mercado, sendo o BNDES uma delas”.

O Estado também pediu entrevista para a Vinci Airports, mas, não conseguiu retorno.

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