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Hélvio Romero|Estadão

WTorre desfaz sociedade com grupo australiano em empresa de galpões

Companhia fundada por Walter Torre deve anunciar até a semana que vem o fim da joint venture criada em 2012 com a multinacional Goodman; empresas vão dividir projetos e terrenos do portfólio e continuar sozinhas no setor de condomínios logísticos

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Naiana Oscar,
O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2016 | 05h00

Quatro anos depois de criar, com a australiana Goodman, uma empresa que pretendia liderar a construção e gestão de galpões logísticos no País, o grupo WTorre decidiu desfazer a sociedade e seguir sozinho neste mercado. A separação das duas empresas e o fim da WTGoodman devem ser oficializados até o dia 15 de fevereiro, segundo apurou o ‘Estado’.

De 2012 para cá, as duas empresas entregaram juntas quatro condomínios logísticos nas cidades de Cajamar (SP), Itupeva (SP), Duque de Caxias (RJ) e Campo Grande (RJ) – num total de 335 mil m². O portfólio de empreendimentos e terrenos será dividido meio a meio entre as duas, que também devem embolsar uma parcela em dinheiro, ainda não definida, mas que pode chegar próximo de R$ 100 milhões. Quando fecharam a parceria, em 2012, a empresa brasileira entrou com os terrenos e a australiana aportou R$ 355 milhões.

WTorre e Goodman não comentaram o assunto nem confirmaram o fim da sociedade. Fontes próximas à WTGoodman, no entanto, dizem que a separação das sócias começou a ser discutida no fim de 2014, depois que os australianos começaram a ficar mais receosos com o risco de investir no Brasil. “O processo para tomada de decisão ficou mais lento”, diz a fonte. “E a WTorre tem pressa em fechar negócios, principalmente, porque é uma empresa que trabalha com alto nível de alavancagem.”

As primeiras diferenças entre as duas empresas teriam ficado explícitas na negociação dos ativos da BR Properties, que em 2013 colocou cerca de R$ 3 bilhões em galpões à venda no mercado. A WTGoodman chegou a fazer uma oferta, mas o negócio acabou nas mãos da Global Logistic Properties (GLP). Com essa aquisição, a empresa chinesa se tornou líder no mercado, deixando a joint venture da brasileira com a australiana para trás.

Dívida. De acordo com fontes de mercado, a dívida da empresa gira em torno de R$ 900 milhões. O modelo de negócio da WTorre faz com que ela não tenha um fluxo contínuo de dinheiro entrando no caixa. Em geral, a empresa ganha à medida em que os projetos ficam prontos e são vendidos. Por isso a pressa.

No fim do ano, por exemplo, a empresa fundada pelo empresário Walter Torre, que hoje tem como sócio o executivo Paulo Remy, chegou a vender 50% de um prédio de escritórios no bairro do Morumbi, em São Paulo, para a canadense Brookfield, por R$ 530 milhões.

Hoje, o grupo tem cinco unidades de negócios: uma dedicada a construção e gestão de galpões logísticos; outra especializada em desenvolver shoppings e prédios comerciais; a construtora WTorre; a WPR Participações, voltada para o setor de infraestrutura e concessões; e a WTorre Entretenimento, que gerencia o Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Os negócios de galpões, prédios comerciais e shoppings estão sofrendo como todo o setor de construção. A empresa tem um projeto em parceria com o BTG para a construção de um complexo, com torres residenciais, de escritório, hotel e shopping na zona sul de São Paulo. As licenças estão prestes a sair, mas as obras não têm data para começar porque falta dinheiro, apurou o Estado. Com essas divisões praticamente paradas, a empresa demitiu 35% dos funcionários no ano passado.

Na divisão de entretenimento, a situação não parece tão crítica. A arena do Palmeiras tem sete grandes eventos previstos para este ano e o Teatro Santander, que também será gerido pela WTorre, tem previsão de ser inaugurado ainda em março.

O problema é que, também nesta divisão, o grupo tem desfeito parcerias, em uma briga que se tornou pública há algumas semanas. A americana AEG reclama não ter recebido cerca de R$ 4 milhões da WTorre para fazer a gestão do estádio do Palmeiras. A empresa brasileira já declarou publicamente que não deve essa quantia porque a parceira não teria entregue todos os serviços previstos em contrato. O acordo com a AEG, segundo fontes, deve ser desfeito nas próximas semanas.

Infraestrutura. O foco da WTorre neste ano é na divisão de infraestrutura e concessões. A empresa vai investir R$ 780 milhões na construção de um porto em São Luís (MA) – obra que está prevista para começar em julho, se todas as licenças forem obtidas até lá.

Em paralelo, o grupo disputa a parceria público privada (PPP) que vai modernizar a iluminação na capital paulista. A WTorre integra o consórcio Walks com outras duas empresas. O grupo esta entre os três que apresentaram propostas à Prefeitura nesta semana.

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