Petrobrás reduz investimentos no exterior para priorizar produção local
Estatal destinará 2,5% de seu investimento para operações internacionais, contra 5% do plano de negócios anterior
SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO - A prioridade dada pela Petrobrás à exploração e produção de óleo e gás natural no Brasil fará com que a empresa reduza fortemente os investimentos no exterior. O Plano de Negócios 2012-2016, aprovado e anunciado nesta quinta-feira, prevê que apenas 2,5% do investimento total de US$ 236,5 bilhões a ser feito pela empresa no período será para operações internacionais. O montante previsto para o exterior, de US$ 6 bilhões, corresponde a um desembolso médio de pouco mais de US$ 1 bilhão por ano até 2016.
No Plano de Negócios 2011-2015, divulgado em julho do ano passado, essa participação já era pequena, de 5%. O valor a ser investido, de US$ 11,2 bilhões, contudo, era mais de 80% superior ao previsto no novo plano.
Os números reforçam a intenção da Petrobrás de ter participação cada vez menos expressiva no mercado externo. Até 2016 a companhia prevê captar US$ 14,8 bilhões com a venda e reestruturação de ativos. As operações de venda terão "foco" em ativos estrangeiros, conforme destacado pela própria estatal. O valor previsto de desinvestimentos entre 2012 e 2016 é superior à estimativa anunciada no ano passado para o período de 2011 a 2015, de US$ 13,6 bilhões.
Os anúncios da Petrobrás contribuem para o surgimento de rumores sobre venda de ativos da empresa no exterior, incluindo as refinarias dos Estados Unidos e do Japão. A estatal também deve negociar participação em blocos no exterior, conforme noticiado pela Agência Estado em maio passado. Na oportunidade, o presidente da Petrobrás Américas, Orlando Azevedo, disse que a companhia iria rever sua presença nos Estados Unidos, onde está em 175 blocos, dos quais 72% operados por ela. "Faremos uma gestão de portfólio", disse Azevedo.
Produção
A despeito da retração dos investimentos a serem feitos no exterior, a Petrobrás mantém otimismo em relação à produção de óleo e gás no exterior. A companhia informou que a produção externa em 2020 deve alcançar aproximadamente 500 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), o equivalente a 8,8% da produção total de 5,7 milhões de boe prevista para o período. No Plano de Negócios 2011-2015, a previsão era mais discreta, de menos de 400 mil boe/d, e equivalia a 6% da produção total estimada anteriormente para 2020, de 6,418 milhões de boe/d.
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