BTG confirma associação com Agnelli para criar B&A Mineração
De acordo com fato relevante, a associação envolve uma intenção de investimento de até US$ 520 milhões
SÃO PAULO - O BTG Pactual confirmou na manhã dessa quinta-feira a associação de sua subsidiária BTG Investments, com a AGN Agroindustrial, Projetos e Participações, controlada pelo empresário Roger Agnelli, para explorar, conjuntamente, por meio de uma nova empresa denominada B&A Mineração, oportunidades de investimento no setor de mineração, com foco no Brasil, América Latina e África.
De acordo com fato relevante, a associação envolve uma intenção de investimento no valor correspondente, em reais, a até US$ 520 milhões, para custear seu plano de negócios, desenvolvimento e expansão orgânica e por aquisições.
As operações da B&A Mineração terão início em até 60 dias. De acordo com comunicado entregue à imprensa, há pouco, a nova empresa terá atuação desde projetos greenfield (novas explorações) e estudos de viabilidade até as operações em si.
O CEO da B&A será o ex-diretor de Exploração da Vale, Eduardo Ledsham. Agnelli será o chairman executivo da nova empresa.
A companhia quer estabelecer parcerias com pequenas e médias mineradoras, além de detentores de direitos minerais. O foco da empresa, que tem como objetivo investir R$ 1,04 bilhão, será em ativos de fertilizantes, minério de ferro e cobre.
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Segundo a reportagem do jornal Estado dessa quinta-feira, a maior parte dos recursos sairá do BTG, do banqueiro André Esteves. Agnelli entrará com a equipe que vai tocar a mineradora e com um punhado de ativos: opções de compra de projetos para exploração de cobre no Chile, e de titânio, fosfato e potássio no Norte e no Nordeste. Segundo fontes que acompanharam a negociação, Agnelli está discutindo também projetos de cobre e de minério de ferro em Angola, em parceria com grupos locais.
A criação da mineradora é a primeira operação concreta da AGN, holding aberta por Agnelli no começo deste ano. Além de mineração, o ex da Vale montou também uma empresa na área de logística, com interesse principalmente na construção e operação de portos, e outra para atuar na produção de biomassa destinada à geração de energia.
As especulações a respeito do destino profissional de Agnelli corriam o mercado desde que ele deixou a Vale, em maio do ano passado, por pressão do governo. Primeiro ele tirou uma espécie de período sabático e sumiu de cena até o começo do ano, quando começou a montar sua equipe, com nomes experientes do mercado: Eduardo Ledsham (mineração) e Ivo Fouto (energias renováveis) saíram da Vale, e Davi Cade (logística), que estava na CSN.
O detalhe curioso na parceria entre Agnelli e o BTG é que eles estiveram em lados opostos no passado. Em 2009, Esteves assessorou Eike Batista em sua tentativa de comprar a participação do Bradesco na Vale, o que levaria o empresário ao grupo de controle da mineradora. Na ocasião, Eike disse que, se o negócio fosse concretizado, gostaria de tirar Agnelli da presidência da Vale.
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