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15 de Abril de 2010

 

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Em um ano, ações da petroleira OGX, de Eike Batista, já caíram 86%

Papéis da empresa tiveram nesta quarta-feira mais um dia de queda expressiva, de 9,2%, fechando cotados a R$ 2,37 

13 de março de 2013 | 21h 26
Antonio Pita, Cynthia Decloedt e Daniela Milanese, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO e RIO - A petroleira OGX, empresa âncora do grupo de Eike Batista, amargou nesta quarta-feira mais um dia de intenso pessimismo por parte dos investidores do mercado financeiro. Com queda de 9,20% no pregão da BM&F Bovespa, as ações da empresa já acumulam, em doze meses, perda de mais de 86% em sua cotação.

A empresa, que abriu capital em 2008, já teve as ações cotadas a R$ 23 em 2010, no auge das expectativas positivas do mercado, com os sucessivos anúncios de descobertas de petróleo em blocos exploratórios. Ontem, os papéis da petroleira romperam por duas vezes as mínimas históricas, fechando o pregão em R$ 2,37, um novo recorde de baixa.

Em meio à onda de rebaixamentos promovida por bancos nacionais e estrangeiros, o BTG Pactual, de André Esteves, foi a única instituição a divulgar recomendação de compra e preço-alvo de R$ 17,00 para as ações da OGX, segundo fontes do mercado consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O BTG não comentou o assunto.

Na semana passada, o empresário Eike Batista e o banqueiro André Esteves anunciaram parceria que envolve aconselhamento financeiro e abertura de linhas de crédito para os projetos do grupo EBX. Entre segunda-feira e ontem, pelo menos seis instituições cortaram as avaliações da empresa de petróleo: Credit Suisse, Citi Research, UBS, Bank of America Merril Lynch, JPMorgan e Itaú BBA.

Os analistas Caio M. Carvalhal e Felipe dos Santos, do JP Morgan, divulgaram relatório em que resumiam suas expectativas em relação à empresa. "Acreditamos que a produção desapontadora (de fevereiro) eleva as incertezas sobre a viabilidade comercial da maior parte das descobertas de óleo na Bacia de Campos."

Esta semana, 11 das 21 áreas arrematadas por Eike Batista no leilão que marcou a estreia de sua companhia no mercado de exploração de petróleo, em 2007, tiveram expirado o prazo para que fosse informada à Agência Nacional do Petróleo (ANP) o início do processo de produção comercial. A empresa não decretou a comercialidade dos blocos, mas essa é uma ocorrência relativamente usual no setor.

A ANP já concedeu extensão de prazo para seis dessas áreas, mas por um período curto, que vai de agosto a novembro deste ano. As outras permanecem sob análise no órgão regulador.

Demora. Alguns analistas acreditam que a desvalorização do papel da OGX não para com a queda de ontem e ainda pode demorar para a empresa encontrar uma curva positiva no mercado. Nas projeções de bancos de investimento, o preço futuro para as ações varia entre R$ 1 e R$ 2,90.

Criada em 2007 para ser "a maior companhia privada exploradora de petróleo do País", a OGX estreou no mercado após arrematar os 21 blocos de petróleo em um leilão da ANP ao custo de R$ 1,56 bilhão. "Foi barato", disse o executivo Eike Batista, na expectativa dos retornos promovidos pela produção.

Num primeiro momento, com a maior venda inicial de ações da história da Bovespa, em 2008, as previsões pareciam corretas - o empresário arrecadou R$ 6,711 bilhões no IPO de 5,9 milhões de ações ordinárias.

"Não somos uma promessa. Ou não teríamos 363 instituições mundiais comprando o nosso negócio", disse Eike, à época. Em diversas ocasiões, ele classificou a empresa como a mais preparada do País. "Não há nenhum time melhor do que o nosso hoje. Pode haver igual, como é o caso da Petrobrás." O empresário também exaltava as descobertas de petróleo nos campos. Ao comentar a descoberta de gás na bacia do Parnaíba, no Maranhão, ele afirmou que a capacidade correspondia a "meia Bolívia".

Hoje, são 28 blocos exploratórios no Brasil, nas Bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, Pará-Maranhão e Parnaíba, e 5 blocos exploratórios terrestres na Colômbia. Apesar da dimensão, a falta de resultados rende críticas e perdas à empresa, que já foi chamada de "petrolífera de papel" por analistas, e bancos estrangeiros começaram a recomendar a venda das ações. 





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