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Graça alerta Mantega para dívida da Petrobrás

Presidente da estatal diz que piora das condições financeiras pode provocar o rebaixamento da classificação de risco da empresa 

08 de fevereiro de 2013 | 21h 34
Sabrina Valle, de O Estado de S. Paulo

RIO - A presidente da Petrobrás, Graça Foster, apresentou nesta semana ao ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da companhia, Guido Mantega, um cenário alarmante para o endividamento da empresa neste ano, segundo fonte ouvida pela Agência Estado.

Mantendo as atuais condições, a alavancagem passará no quarto trimestre para 3,5 vezes a relação entre a dívida líquida e a geração de caixa (Ebitda). Este resultado levaria a companhia a ter sua nota rebaixada por agências de classificação de risco e perder o "grau de investimento". O quadro mostra a necessidade de reforçar o caixa da empresa, por exemplo, com novo aumento de combustíveis ao longo do ano.

Fundos internacionais que têm como premissa só investir em empresas com grau de investimento seriam obrigados a se desfazer do papel.

Empréstimos da empresa vinculados a esta classificação também seriam automaticamente reajustados, aumentando o custo da já enorme dívida da empresa, entre outros efeitos.

O limite de conforto fixado internamente pela Petrobrás é de 2,5 vezes; o máximo aceitável seria uma alavancagem de 3 vezes. O nível de segurança foi ultrapassado no resultado do quarto trimestre de 2012, apresentado na segunda-feira, conforme antecipara a Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O indicador saiu de 1,66 vez no quarto trimestre de 2011 para 2,77 vezes no quarto trimestre de 2012, surpreendendo o mercado.

No terceiro trimestre, a relação já estava em 2,42 vezes. Na terça-feira, um dia depois de ser comunicado pela diretoria da Petrobrás sobre a previsão para o agravamento do endividamento da companhia, Mantega mudou de discurso e admitiu um controle menos rigoroso sobre os preços dos combustíveis na refinaria.

"Nós procuraremos estar mais colados à variação de preços do barril de petróleo lá fora para que não haja, digamos, nenhum prejuízo para a Petrobrás", disse o ministro em Brasília.

Mantega descartou, na ocasião, nova elevação dos combustíveis. O recado dado à imprensa foi o mesmo passado internamente para a presidente Graça Foster na segunda-feira. "Nós acabamos de dar um aumento para a gasolina, portanto, não me parece oportuno falarmos de um novo aumento", disse.

Na entrevista de terça-feira para a divulgação do balanço, o Rio, a presidente Graça Foster considerou a situação de endividamento "preocupante" e reconheceu que o indicador poderia passar de 2,77 vezes durante o ano.

Para resolver o problema a Petrobrás teria que elevar a geração de caixa ou reduzir o endividamento. A venda de ativos no exterior é uma dos poucos recursos que a empresa pode lançar mão sem necessidade de qualquer interferência. Outra medida que está sendo articulada é encontrar sócios para seus empreendimentos, de forma a reduzir os investimentos sem cortar projetos. Graça revelou na terça-feira, por exemplo, que as refinarias Premium I e II (Maranhão e Ceará) devem sair com sócios. A previsão da diretoria da companhia já considera o impacto de alívios anunciados que terão efeito positivo para o caixa da empresa. É o caso dos reajustes de 6,6% na gasolina e de 5,4% no diesel de janeiro e do efeito indireto do aumento da mistura do etanol na gasolina, a partir de 1.º de maio.

A previsão do mercado é que o aumento injete entre R$ 6,9 bilhões e R$ 7,8 bilhões no caixa da empresa ao longo do ano. O endividamento líquido da Petrobrás em reais aumentou 43% no quarto trimestre de 2012 em relação ao quarto trimestre de 2011, para R$ 147,8 bilhões. Segundo a Petrobrás, a alta ocorreu em decorrência de captações de longo prazo e do impacto da depreciação cambial de 8,9% no período. O endividamento bruto está em R$ 196,3 bilhões.





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