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Lucro da Oi no 2º trimestre recua 83% devido à reorganização societária

Empresa de telecomunicações teve lucro de R$ 64,1 milhões; reorganização societária ocorreu em 27 de fevereiro deste ano

01 de agosto de 2012 | 7h 42
Mariana Durão e Rodrigo Petry, da Agência Estado

SÃO PAULO - A empresa de telecomunicações Oi registrou lucro líquido consolidado de R$ 64,1 milhões no segundo trimestre deste ano, o que representou queda de 82,8% em comparação ao resultado líquido de R$ 373,6 milhões do mesmo período do ano passado. A empresa afirma no relatório de administração que acompanha o balanço que a comparação anual do lucro é afetada pela reorganização societária que aconteceu em 27 de fevereiro deste ano.

A receita líquida da companhia somou no segundo trimestre R$ 6,909 bilhões, apresentando queda de 2,4% sobre o mesmo período do ano passado, de R$ 7,077 bilhões, em números pro-forma, o que considera os resultados relativos à antiga Tele Norte Leste Participações (TNL), como se a incorporação à Oi tivesse ocorrido em 1 de janeiro deste ano.

A geração de caixa, medida pelo Ebitda, atingiu R$ 2,141 bilhões, o que em números pro-forma representou queda de 13,5% sobre o Ebitda de R$ 2,476 bilhões do mesmo período do ano passado. A margem Ebitda encerrou o segundo trimestre deste ano em 31%, significando queda de 4 pontos porcentuais sobre o mesmo período do ano passado.

A Oi também apresentou os números de receita e Ebitda de forma consolidada, sem os resultados da antiga TNL. Os resultados do segundo trimestre deste ano não foram modificados, mas na comparação com o mesmo período do ano passado, neste critério, o Ebitda da empresa teria avançado 124% e a receita líquida crescido 193%.

A dívida líquida da Oi, em base pro-forma, somou R$ 23,535 bilhões no segundo trimestre, o que representou aumento de 45,2% sobre o mesmo período do ano passado. A posição de caixa da empresa encerrou o segundo trimestre em R$ 8,202 bilhões, queda de 6,5% sobre igual intervalo de 2011.

O resultado financeiro liquido consolidado da Oi no segundo trimestre foi negativo em R$ 692 milhões, ante um resultado positivo de R$ 39 milhões do mesmo período do ano passado. A empresa informou que o desempenho foi impactado "pela redução do caixa líquido, em linha com o plano estratégico da empresa".

Os investimentos da empresa no segundo trimestre somaram R$ 1,360 bilhão, alta de 30,5% sobre o mesmo intervalo do ano passado. No primeiro semestre, atingem R$ 2,451 bilhões, aumento de 31%.

Emprega discute solução contábil com CVM

A Oi vai solicitar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a depreciação da mais valia dos ativos imobilizados passe pelo patrimônio líquido e não pelo resultado. Se isso for autorizado, a partir dos próximos trimestres o efeito da depreciação da mais valia deixará de afetar o lucro trimestral. Com isso, o lucro do segundo trimestre seria de R$ 364 milhões e não R$ 64 milhões.

"Queremos fazer uma profilaxia para evitar confusões. Nosso modelo é uma jabuticaba", disse o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Oi, Alex Zornig, para quem o efeito da reestruturação é uma "aberração contábil".

De acordo com o presidente da companhia, Francisco Valim, esse ajuste contábil é complexo e não foi solucionado nem mesmo pela Securities Exchange Comission (SEC) nos EUA.

Investimento

A Oi diz estar avaliando a distribuição de investimentos de R$ 6,5 bilhões previstos para os próximos quatro anos entre a tecnologia 3G e 4G de telefonia móvel. Para Valim, ainda não está bem claro como o mundo vai se comportar e como se dará a migração para o 4G, em aparelhos como smartphones. "A discussão como operador é que rede privilegiar. Mas o investimento em um é substituição do outro", afirmou Valim em reunião com a imprensa hoje, para comentar os resultados do segundo trimestre.

Os investimentos do segundo trimestre da Oi atingiram R$ 1,360 bilhão, alta de 30,5% sobre o mesmo período do ano passado. Do total, R$ 431 milhões foram destinados à compra das licenças de 4G no leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os aportes em redes somaram R$ 862 milhões, o que representa um aumento de 0,8%. Em serviços de tecnologia da informação, os investimentos subiram 28,8%, para R$ 67 milhões.





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