Diretora do JP Morgan cai após perda bilionária
Pedido de demissão de Ina Drew, responsável pela área que causou prejuízo de US$ 2 bilhões, deve ser aceito hoje pelo presidente do banco
NOVA YORK - A perda de US$ 2 bilhões com negociação de papéis financeiros causou a primeira baixa no JP Morgan Chase, maior banco americano em ativos. O presidente Jamie Dimon deve aceitar hoje o pedido de demissão de Ina Drew, de 55 anos, que trabalha na instituição há três décadas, e ocupa o cargo de diretora de investimentos.
Ela havia colocado seu cargo à disposição em várias ocasiões, desde que a escala das perdas se tornou aparente no fim de abril, mas Dimon esperou até agora para aceitar a demissão, segundo vários executivos do JP Morgan.
Dois operadoras que trabalham para Drew também planejam renunciar. Sua saída marca a queda de uma das mulheres mais poderosas de Wall Street, e também de uma executiva de confiança de Dimon. Em 2011, Drew ganhou cerca de US$ 14 milhões, sendo a quarta pessoa mais bem paga da instituição.
No programa "Meet the Press" (encontro com a imprensa), ontem no canal NBC, Dimon mostrava arrependimento: o executivo conhecido pela autoconfiança, e até arrogância, repetia o pedido de desculpas pelo tropeço mais vergonhoso de seus oito anos de administração.
"Quase não há desculpa por isso", disse Dimon sobre as perdas que resultaram de uma aposta em derivativos de crédito em Londres. O banco foi "descuidado" e "estúpido", segundo o presidente do JP Morgan.
Aposta
Executivos disseram que nos últimos meses, Drew ordenou que os operadores do escritório de investimentos em Londres fizessem operações para proteger o banco da turbulência econômica na Europa. Conforme os problemas se aprofundaram no continente, Drew pensou que essas apostas protegeriam o banco das perdas e que até dariam um pequeno lucro.
Mas, quando os mercados viraram abruptamente em abril e no começo deste mês, as instruções de Drew para reverter o que havia se tornado uma aposta gigantesca vieram tarde de mais para evitar perdas que podem no final ultrapassar a estimativa atual de US$ 2 bilhões.
Outro sob a mira do banco é Bruno Iksil, um operador que ficou famoso no mês passado como o "Baleia de Londres", por ter assumido posições tão grandes que chegaram a distorcer o complexo mercado de derivativos de crédito.
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