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Contra o declínio do mercado de PCs, Intel aposta nos ultrabooks

Crescimento dos tablets fez com que o mercado mundial de microcomputadores entrasse em declínio e, para combater essa tendência, fabricante de chips criou nova categoria de produtos

14 de maio de 2012 | 23h 28
Marina Gazzoni, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Nove empresas vão fabricar modelos de ultrabooks no Brasil até o fim do ano. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Intel Brasil, Fernando Martins, no Intel Developer Forum Brasil, evento para desenvolvedores. Os primeiros modelos chegaram ao Brasil no fim de 2011, mas foram importados e custavam em torno de R$ 3 mil a R$ 6 mil. Com a produção no País, os fabricantes estimam que os preços caiam cerca de 30%.

O ultrabook é um notebook com a tela mais fina, processador Intel, e que também tem funcionalidades próximas às de um tablet. A projeção da Intel é que existirão mais de 20 modelos no varejo brasileiro em 2012 de 11 fabricantes diferentes. "O ultrabook é a nossa grande aposta para 2012. Será a estrela do Natal deste ano", disse Martins.

As fabricantes querem aproveitar os incentivos fiscais para produtos nacionais para lançar modelos mais baratos e impulsionar as vendas. Hoje, menos de 2% dos computadores móveis (notebooks e netbooks) vendidos no Brasil custam mais de R$ 3 mil, segundo dados da consultoria GfK. Um terço das vendas é de itens abaixo de R$ 1 mil.

Mas, com a queda de preços, os ultrabooks devem ganhar mercado. A projeção da consultoria IDC é de que 25% dos notebooks vendidos no mundo sejam ultrabooks até 2015. "É uma projeção conservadora, que só contempla os produtos com as definições da Intel. Mas todos os notebooks devem evoluir para modelos mais finos e leves", disse o gerente de pesquisas da IDC Brasil, Luciano Crippa.

A HP, por exemplo, começou a vender em maio um modelo importado de ultrabook no Brasil ao custo de R$ 3.779. Mas a empresa pretende deixar de importar e começar a produzir no Brasil um novo modelo entre julho e agosto. "Ainda não definimos os preços, mas esperamos uma redução da ordem de 30%", disse o gerente de produtos da área de notebooks, Erick Cano.

Outras empresas preferiram entrar no mercado já com produção nacional. A coreana Samsung lançou há 15 dias o seu ultrabook feito no Brasil, com preço sugerido de R$ 2.399. "Nós preferimos entrar no mercado para valer, com produto nacional", disse Ricardo Dominguez, gerente de produto da área de notebooks da Samsung. Sua conterrânea LG lançará dois modelos no fim do mês, que custarão R$ 2.999 e R$ 4.399, e serão fabricados em Taubaté (SP). "O ultrabook é para o consumidor mais exigente, que quer um produto compacto e com alta performance", disse Dolf Wiemer, da LG.

Aposta. A Intel lançou os ultrabooks em junho do ano passado em uma tentativa de ganhar parte do mercado de tablets, que cresce mais do que o de computadores. A estimativa da GfK é que o mercado global de notebooks cresça 3% em 2012, ante 60% do de tablets. A Intel ainda tem participação tímida nesse segmento e seu principal negócio é fazer processadores para computadores.

Ao lançar o ultrabook, a empresa tenta convencer o consumidor de que traz uma evolução tecnológica. "Não é um computador nem um tablet. É melhor do que os dois", diz Martins. A partir do fim do ano, produtos com tela sensível ao toque já estarão no País. Em 2013, chegarão modelos com comando de voz e reconhecimento de face.

O produto receberá neste ano o maior investimento em marketing já feito pela empresa: US$ 1 bilhão. Eles também receberão R$ 300 milhões para pesquisas, principalmente para baratear a tecnologia touch screen.





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