Zynga tenta ser menos dependente do Facebook
Identificação com a rede social castiga as ações da empresa de jogos, que busca saída na telefonia móvel e defende legalização de apostas pela web
ASPEN (EUA) - A Zynga é conhecida como a empresa dos jogos do Facebook. Atualmente, não se trata de uma posição muito confortável. Suas ações na Bolsa vêm sendo castigadas, principalmente depois da abertura de capital turbulenta do Facebook, a maior rede social do mundo, e valem hoje menos da metade dos US$ 10 da oferta pública inicial.
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Hoje, 97% do faturamento da Zynga vêm do Facebook, num momento em que a rede social começa a perder clientes nos Estados Unidos. Para fazer diversificar suas fontes de receita, Mark Pincus, presidente e fundador da Zynga, aposta nos jogos para smartphones, e chega até a defender a legalização de apostas em dinheiro em jogos online nos Estados Unidos.
"Atualmente, vemos os smartphones como o novo motor dos jogos sociais", disse Pincus, que participou ontem do encerramento do evento Fortune Brainstorm Tech 2002, em Aspen, nos Estados Unidos. A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) são patrocinadoras do evento.
Vendas. O modelo de negócios atual da Zynga é vender bens virtuais dentro dos seus jogos. Os jogadores não são obrigados a comprá-los, mas, caso decidam gastar dinheiro neles, seu jogo evolui muito mais rápido.
"Chegamos à ideia de bens virtuais porque nosso modelo baseado em publicidade exigia que as pessoas deixassem o site para que conseguíssemos fazer dinheiro", explicou Pincus. No ano passado, o faturamento da companhia atingiu US$ 1,1 bilhão. A empresa é dona de jogos bastante populares, como CityVille, Farmville e Words with Friends.
Apesar de o mercado de jogos para celulares ser promissor, ainda não é representativo para a Zynga. Somente 22 milhões de seus 300 milhões de usuários jogam pelo smartphone. "Existe uma grande oportunidade de colocar os jogos sociais no bolso das pessoas, mas ainda estamos num estágio muito inicial", disse o executivo.
O presidente da Zynga destacou que seus jogos de pôquer e de bingo já são os mais populares da internet. No entanto, a aposta em dinheiro em jogos online é proibida nos Estados Unidos. "Existe uma boa chance de se tornar legal, e vamos explorar ativamente a oportunidade", afirmou Pincus.
Ao ser perguntado se a Zynga participaria do lobby que existe hoje em Washington, a capital americana, para legalizar as apostas online, o executivo respondeu: "Não temos nenhum plano, mas gostaríamos de participar dessa discussão". Ele destacou, porém, que em alguns países, como a Inglaterra, esse tipo de aposta online é legalizada.
Receita. Outra possibilidade explorada pela Zynga para diversificar suas fontes de receita é oferecer sua infraestrutura tecnológica para outros desenvolvedores de jogos, da mesma forma que a Amazon, maior varejista online do mundo, presta serviços para outros varejistas virtuais e empresas de internet. "Já começamos a trabalhar com alguns parceiros beta (de testes)", disse Pincus. Ele não deu, no entanto, detalhes de qual será o modelo de cobrança por esses serviços. "Também teremos uma plataforma aberta para desenvolvedores, como fez o Facebook."
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