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BB rejeitou carteiras do Panamericano 1 ano antes de a Caixa virar sócia do banco

No auge da crise de 2008, instituição descartou maior parte dos ativos oferecidos pelo banco

09 de novembro de 2011 | 22h 53
Fausto Macedo, Leandro Modé e David Friedlander de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Um ano antes de a Caixa Econômica Federal tornar-se sócia do Panamericano, o Banco do Brasil rejeitou a maior parte das carteiras de crédito oferecidas pelo banco que, então, pertencia a Silvio Santos. As negociações ocorreram entre outubro e novembro de 2008, auge da crise global. Naquele momento, bancos de pequeno e médio porte, como o Panamericano, bateram às portas dos grandes, como o BB, para vender essas carteiras e colocar dinheiro em caixa.

As informações são de executivos que participaram das negociações. Segundo esses profissionais, a qualidade das carteiras do Panamericano era sofrível. Havia, entre outros, problemas na chamada originação dos créditos. Um exemplo eram os financiamentos a motos de baixa cilindrada, área em que a inadimplência costuma ser elevada.

Além disso, observou um executivo, a reputação do Panamericano no mercado já não era das melhores na ocasião. A avaliação era de que o banco não tinha foco, emprestava mal e, consequentemente, apresentava resultados fracos na comparação com a concorrência.

A atitude defensiva do BB - que comprou uma parte mínima do que lhe foi oferecido - lança ainda mais dúvidas sobre o negócio feito pela Caixa um ano depois. Em novembro de 2009, a instituição controlada pelo governo federal pagou R$ 740 milhões para ficar com 49% do banco de Silvio Santos.

O BB não informa os valores das carteiras que o Panamericano quis vender, nem quanto adquiriu no total. Procurado, o Ministério da Fazenda não respondeu. Como a União é a acionista majoritária do BB, a Fazenda costuma indicar o presidente do conselho de administração do banco. A Caixa informou que está em período de silêncio porque o Panamericano publica balanço nesta noite.

No ano passado, o Banco Central (BC) descobriu uma fraude contábil no Panamericano, que, ao final das investigações, alcançou R$ 4,3 bilhões. A instituição só não quebrou porque foi socorrida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Na sequência, a participação de Silvio Santos foi vendida para o BTG Pactual.

A eclosão da crise global, em setembro de 2008, secou o mercado de crédito. Bancos pequenos e médios tiveram problemas para captar recursos para financiar suas operações. Por isso, o BC facilitou a venda de carteiras de crédito. Na ocasião, houve uma orientação do governo para que o BB desse atenção especial às instituições que o procurassem para vender carteiras.

Na sede do BB em São Paulo, na Avenida Paulista, foi montada uma estrutura com técnicos e advogados para avaliar as operações que chegavam. Foi nesse cenário que o Panamericano chegou ao balcão do BB.

Documentos internos do BB obtidos pelo Estado mostram que o banco chegou a aumentar o teto para compra de carteiras do Panamericano de US$ 50 milhões para R$ 500 milhões. Na papelada, técnicos discutem sobre a necessidade ou não de exigir garantias adicionais para operar com o Panamericano.


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