Falta de mão-de-obra é apontada como principal problema para adoção de boas práticas na pecuária

Rio de Janeiro--( DINO - 13 mar, 2017) - Estudo coordenado pela diretora do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio, Agnieszka Latawiec, e outros 10 especialistas das instituições colaboradoras do Brasil e do exterior, constatou que a escassez de mão-de-obra é o principal problema que afeta a adoção de boas práticas na pecuária, apontado por 36% dos 250 produtores consultados em Mato Grosso. Os altos custos da implementação das boas práticas foram apontados como segundo gargalo mais importante (de acordo com 18% dos produtores entrevistados).

Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

13 Março 2017 | 14h54

Segundo a pesquisa, mesmo que o crédito esteja teoricamente disponível, ele não é necessariamente acessível para o produtor devido burocracia extrema. Deficiência no acesso a serviços de extensão técnica foi apontada pelos produtores como uma barreira significativa além da questão da qualidade dessa assistência, pois 40% da assistência técnica é atualmente fornecida por fornecedores de fertilizantes e outros produtos químicos. O estudo, que gerou o artigo Melhorar a gestão da terra no Brasil: uma perspectiva dos produtores publicado na revista cientifica Agriculture, Ecosystems & Environment, também identificou que para a maioria dos entrevistados (60%) o principal benefício da adoção de boas práticas agrícolas era o aumento da produtividade, seguido por aumento de renda (43%) e melhor manejo administrativo da fazenda (34%).

Segundo Agnieszka, este é o primeiro estudo a avaliar sistematicamente e quantitativamente as barreiras e as condições de adoção de boas práticas agrícolas nas pastagens brasileiras levando em consideração opinião dos produtores, atores chaves envolvidos na implementação dessas práticas na Amazônia. "É absolutamente fundamental ouvir os produtores para chegarmos ao uso mais sustentável da terra no Brasil. Existem poucos estudos deste tipo, e necessário fazer a ponte com o produtor, de forma sistemática, quantificada e estatisticamente robusta, e trazer essa informação para os tomadores de decisão", acrescentou.

Ela acrescenta que o Brasil ainda pratica uma pecuária de relativamente baixa produtividade em relação com potencial sustentável que tem, com impactos sociais e ambientais, muito significativos, como o desmatamento, na área ambiental. "Hoje, a média de produtividade nas fazendas da região estudada é de aproximadamente uma cabeça por hectare. Para ser sustentável, o ideal seria pelo menos dobrar essa média. Em algumas áreas no Brasil esse número é ainda pior. E com isso, grandes áreas foram desmatadas para sustentar pecuária extensiva" explicou Agnieszka.

A adoção das boas práticas pode ajudar o produtor rural a melhorar a qualidade das pastagens e aumentar a produtividade (cabeças por hectare). Mas o estudo também aponta o possível efeito contrário dessa "intensificação sustentável" - efeito rebote ("rebound"). "É muito importante que qualquer intervenção na terra, como intensificação sustentável, seja feita de uma forma sustentável, com aumento da produtividade controlada e complementada por políticas públicas de conservação, evitando a ocupação de novas terras e assim gerando mais desmatamento", ressaltou Bernardo Strassburg coautor do estudo e diretor do IIS.

O estudo mostra ainda outras implicações, como os efeitos negativos da pecuária extensiva, que degrada o ambiente, o solo e a água, e que pode ser ruim para os animais e pode ser associada com pobreza e desmatamento. "Portanto, os resultados publicados nesse estudo são cruciais. A falha em considerar a opinião do produtor vai continuar a contribuir para a perda da vegetação nativa e da degradação do meio ambiente, além persistir o quadro de pobreza entre a população rural", finalizou Agnieszka.

Mais conteúdo sobre:
Releases

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.