Felipe Perobeli
Felipe Perobeli

'A maioria vai buscar maior rentabilidade sem entender o risco'

Para o presidente da Vérios, apetite ao risco deve crescer, mas é preciso ter cautela e montar uma carteira diversificada de acordo com o perfil do investidor

Entrevista com

Felipe Sotto-Maior

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2018 | 05h00

Qual sua perspectiva para os investimentos em 2018 neste cenário de juros baixos?

Num cenário de taxa de juros reduzida, tipicamente vemos uma migração do investidor dos ativos de renda fixa para os mercados de renda variável.

No Brasil, muitos ainda guardam aquela ideia de que o investimento precisa render pelo menos 1% ao mês. Essa moleza acabou. Com a meta da Selic em 7,00% ao ano, a expectativa é que a renda fixa nos bancos de varejo* tenha rendimentos de menos de 0,5% ao mês. Quando percebem isso, as pessoas se movem em busca de alternativas. Nessa hora, é preciso estudar um pouco para não cometer erros.

(* Pegando como referência produtos de renda fixa com rendimentos na casa de 80% do CDI.)

O sr. acha que o apetite ao risco do investidor brasileiro vai continuar aumentando no ano que vem da forma como ocorreu em 2017?

Sim e não. Acredito que as pessoas vão buscar maior rentabilidade, devido à queda abaixo da "zona de conforto" do investidor brasileiro. Porém, a grande maioria das pessoas vai buscar maior rentabilidade sem entender o risco dos novos produtos que estão comprando. O mercado interpreta isso como maior apetite ao risco.

Quais seriam boas opções de investimento para brasileiros (principalmente pessoa física) no ano que vem?

A melhor opção é ter sempre uma carteira diversificada. Um pouco de dinheiro em ativos de risco, para melhorar a rentabilidade, e um pouco em ativos de renda fixa, para aumentar a segurança. As quantidades dependem do perfil de cada investidor.

Para quem prefere segurança, os títulos do Tesouro Direto continuam sendo a opção mais segura. É possível migrar do Tesouro Selic para os títulos Prefixados e do Tesouro IPCA, mas o ideal é estar posicionado nessas três classes de forma equilibrada. O investidor que fica pulando de galho em galho acaba gastando mais com impostos e tarifas, tornando a estratégia ineficiente.

Como os possíveis cenários para a eleição do ano que vem podem impactar o ambiente de negócios e de investimento?

De acordo com reportagem da BBC, o Brasil tem pelo menos 14 pré-candidatos à presidência.  É cedo para projetar cenários e não acredito em bola de cristal. Porém, sabemos que o mercado acionário, em geral, reage melhor aos candidatos mais envolvidos com a reformas estruturantes e medidas de redução dos gastos e controle das contas públicas. Esses movimentos baseados em notícias e pesquisas, porém, são especulativos e duram pouco. A retomada forte e sustentável do mercado depende de mudanças verdadeiras e duradouras.

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