Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Norte e Nordeste aumentam participação no Tesouro Direto

Apesar do avanço nos últimos 12 meses, fatia combinada das duas regiões no investimento ainda é de 11,6%

Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2017 | 05h00

O investimento em títulos do Tesouro Direto está ganhando mais espaço fora das regiões Sudeste e Sul do País – que tradicionalmente têm mais acesso a informações e serviços financeiros. Entre os quase 1,5 milhão de CPFs cadastrados no programa, o público do Norte e do Nordeste vem, aos poucos, aumentando sua fatia no bolo.

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Apesar de ainda engatinhar, a participação dos investidores do Norte do País passou de 1,8%, em junho do ano passado, para 2,3%, no mesmo mês deste ano. Em junho de 2015, a proporção era de 1,5%. Já a fatia do Nordeste, que encerrou junho em 9,3%, era de 8,1% em junho de 2016, e de 7,4%, no mesmo mês de 2015.

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No Centro-Oeste, a proporção era de 7,4%, em junho de 2015, ficou estável no ano seguinte e passou a 7,6%, em junho deste ano. No Sudeste, na mesma base, a fatia foi de 69,2% para 68,4% e depois para 66,5%. No Sul, passou de 14,6% para 14,3%, e depois subiu para 14,4%. O total de investidores no País, que era de pouco mais de 520 mil CPFs cadastrados em 2015, quase triplicou nos últimos dois anos.

“A participação das regiões Norte e Nordeste vem aumentando tanto em investidores cadastrados quanto em ativos”, diz Lena Oliveira de Carvalho, coordenadora de planejamento estratégico da Dívida Pública. A diferença entre o número de pessoas que se inscrevem na plataforma do Tesouro e as que aplicam dinheiro, porém, segue grande. Em junho, por exemplo, o número de investidores ativos era de pouco mais de 500 mil.

A disseminação de informações sobre o tema, a possibilidade de fazer transações pela internet e o trabalho de corretoras e agentes autônomos ampliaram o alcance do Tesouro. Os resultados, porém, estão longe do ideal: “Ainda há muitas pessoas com dinheiro em conta corrente. Quando conseguem poupam”, afirma Mauro Calil, consultor de investimentos do banco Ourinvest.

Professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha vê com bons olhos o movimento: “Tudo o que é ligado a finanças está muito concentrado no eixo Rio–São Paulo. A carência dessa oferta nas demais regiões do País faz com que as pessoas sejam mais autodidatas”, explica. 

O estágio do relacionamento da população com o sistema financeiro – a chamada bancarização – ainda é uma barreira para muitos. Além disso, desenvolver o hábito de poupar só vem depois da organização financeira. “Quem tem renda mais baixa no Brasil também consegue equilibrar as contas, adquirir bens e investir. Essas pessoas têm um perfil muito organizado”, diz Maurício de Almeida Prado, diretor da consultoria Plano CDE.

A consultora Vera Silviani, que trabalhou na avaliação da plataforma em 2013 e este ano, diz que a evolução do Tesouro Direto é boa, mas que há espaço para crescer: “Precisamos fazer com que as mulheres participem mais”, diz.

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