Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

‘O segredo não é ganhar mais, mas gastar menos’

Superintendente da Anbima diz que cada investidor tem de avaliar qual rota seguir para aplicar o dinheiro

Entrevista com

Ana Leoni, superintendente da Anbima

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 05h00

Ao falar sobre a relação do brasileiro com o dinheiro, Ana Leoni é categórica: a receita de bolo não funciona para todo mundo. Além disso, a superintendente de Educação e Informações Técnicas da Anbima afirma que o segredo não é ganhar mais, mas gastar menos. Com base em uma pesquisa que a associação fez no ano passado, que apontou cinco perfis quando o assunto é dinheiro (ver abaixo), ela explica como guiar as decisões em 2018. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que há perfis tão diferentes na relação com o dinheiro?

Somos tanto o perseverante, que poupa de pouquinho em pouquinho, como aquele que se vira de qualquer jeito, o camaleão. O construtor é a cara do brasileiro – vemos pessoas que medem o patrimônio por andares da casa, por exemplo. O camaleão tem jogo de cintura. Numa crise ou em ano de eleição, ele se adapta rapidamente. Já para o construtor, essas oscilações incomodam mais.

Em ano de eleição, muda a relação com o dinheiro?

A eleição tem grande impacto, mas sempre haverá eventos positivos e negativos. O importante é que a pessoa tem de ser neutra nas decisões de longo prazo, senão vai ter sempre de parar e repensar.

A maioria dos brasileiros diz que não sobra dinheiro. A melhora da renda abre espaço para investimentos mais arriscados?

Nunca sobra. O segredo não é ganhar mais, mas gastar menos. A sobra, entretanto, não quer dizer que a pessoa vai investir em produtos mais arrojados, apesar de o cenário estar mais propício. É preciso olhar qual rota seguir para que o capital seja mais sustentável, dentro do apetite de risco de cada um.

O juro baixo histórico vai influenciar nas decisões?

Mesmo que haja uma conjuntura econômica favorável, é como andar de bicicleta: primeiro começa no terreno plano e aos poucos vai mudando. Quem está começando vai poupar em produtos mais tradicionais. Tem gente que vai explorar um pouco mais de risco. O que percebemos é que a receita de bolo não serve para todo mundo.

Muitos veem os bancos como um mal necessário. Isso explica o baixo número de investidores?

Não é isso unicamente. O que mais explica é a cultura de investimentos ser muito recente. O brasileiro ainda tem de entender que investir é um aprendizado. Ainda precisa fazer uma auto-avaliação e refletir sobre os seus objetivos.

PERFIS

1. Construtor. É quem poupa pequenos valores, mas de forma contínua. Conquistas materiais são investimentos.

2. Despreocupado. As conquistas desse perfil acontecem ao caso. Poupam valores inconstantes, mas são otimistas.

3. Camaleão. Aquele que 'se vira nos 30' e se desdobra para chegar ao fim do mês. Poupa, mas entra no crédito para pagar as contas.

4. Sonhador. O investimento acontece ocasionalmente e é movido pelo emocional. 

5. Planejador. É aquele que está atento às oportunidades. Ele maximiza recursos e investe com disciplina. 

Mais conteúdo sobre:
Economia Doméstica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.