1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Apesar de estímulo para compra de imóvel, aluguel segue mais vantajoso

- Atualizado: 14 Março 2016 | 08h 01

Preço da locação pode sair mais em conta que parcela do financiamento e 'sobra' deve ser investida pelo consumidor para aproveitar o juro alto

A Caixa Econômica Federal voltou atrás e facilitou as condições para financiar a casa própria. Apesar da sinalização de que o banco estatal, principal financiador da habitação, está disposto a emprestar, há dúvidas sobre os efeitos da medida. Primeiro porque faltou combinar com os consumidores, que vivem o medo do desemprego e a queda da renda. Logo, terão dificuldade de deixar o aluguel para trás e assumir um financiamento de longo prazo. E, segundo, porque o juro elevado encarece o crédito e favorece os ganhos na renda fixa.

O educador financeiro Rafael Seabra resume a situação. “É um péssimo momento para pagar juros, mas ótimo para ter uma remuneração pela taxa Selic”, afirma.

Ele propõe uma conta simples para avaliar se vale mais a pena comprar ou alugar. “Faça a simulação de um financiamento em um banco e veja quanto da parcela corresponde a pagamento de juros e amortização da dívida. Se o aluguel for mais barato que o valor desembolsado para os juros, opte pelo aluguel”, diz.

Casa própria. Condição facilitada para crédito habitacional não tira apelo atual da locação

Casa própria. Condição facilitada para crédito habitacional não tira apelo atual da locação

A diferença entre o aluguel e o que seria desembolsado com a prestação pode ser revertido para o investimento. Mesmo aplicações conservadoras, como o Tesouro Selic, são mais atrativas.

Por trás desse cálculo está o Sistema de Amortização Constante (SAC), amplamente usado no Brasil para calcular os financiamentos habitacionais.

Neste sistema, as parcelas iniciais têm mais juros do que amortização da dívida, e o pagamento mensal é decrescente.

No caso da Caixa, os consumidores só poderão fazer essa conta a partir do dia 24, quando as novas regras entrarão em vigor. O banco estatal voltou a permitir porcentuais maiores de financiamento de imóveis usados. No Sistema Financeiro da Habitação (SFH) – que permite o financiamento de imóveis de R$ 650 mil ou R$ 750 mil, a depender do Estado –, o porcentual ficará entre 70% e 80%. Já no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), para unidades além do teto do SFH, o limite será entre 60% e 70%.

Além da escolha financeira entre alugar ou comprar, o consumidor vai encontrar um mercado desaquecido e aberto à negociação. “Nesse cenário, está muito favorável alugar imóvel, os proprietários nem estão aplicando o reajuste pelo IGP-M (índice normalmente usado para corrigir os contratos de locação)”, diz Marcelo Prata, consultor e fundador do site Canal do Crédito.

Na cidade de São Paulo, o esfriamento já é notado nos preços praticados para locação. Em 2015, o valor médio dos contratos de locação firmados caiu 2,5%, de acordo com dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). “Não há nada que indique que essa queda vai se reverter”, diz Mark Turnbull, diretor de locação do Secovi-SP.

Pelos bairros da capital, houve localidades em que o recuo foi ainda maior. Na Vila Mariana, por exemplo, o preço de locação de um dormitório caiu 17,6% no ano passado. Já no bairro do Tatuapé, o aluguel do imóvel com dois dormitórios caiu 10,6%, enquanto em Santana o três dormitórios ficou 13,2% mais barato.

Procura. No portal imobiliário VivaReal, a procura dos consumidores por compra e aluguel se inverteu nos últimos anos. Desde 2013, era maior a demanda para aquisição de imóveis. A partir de maio de 2015, quando a Caixa decidiu apertar as condições de crédito, a locação passou a crescer e hoje praticamente divide com a compra as atenções dos consumidores.

“Existe o potencial disso mudar e mais gente procurar por compra e perceber que pode financiar”, afirma Lucas Vargas, executivo-chefe de operações do VivaReal.

Por outro lado, Vargas pontua que, em sua visão, ainda não está claro de onde virão os recursos para financiar a habitação.

A caderneta de poupança, que é a principal fonte de recursos para o segmento imobiliário, perdeu R$ 53,5 bilhões em 2015, resultado da diferença entre depósitos e saques da aplicação. E, só nos dois primeiros meses deste ano, já acumula um saldo negativo de R$ 18,6 bilhões. Foi essa sangria de recursos, aliás, que motivou a mudança da política de crédito da Caixa há menos de um ano.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX