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De férias. Como manter o chefe à distância?

Seria realmente grosseiro negligenciar uma intromissão desnecessária no período que você dedica a si mesmo?

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Rob Walker,
The New York Times

10 Fevereiro 2016 | 19h23

Como posso dizer à minha chefe para me deixar em paz quando tiro um dia de folga? Eu trabalho várias noites e finais de semana além das horas habituais, então, realmente preciso de tempo para me recarregar.  Mas ela repetidamente envia e-mails do tipo "desculpe por incomodar, mas...". Geralmente são  questões que ela ou outra pessoa poderiam tratar. Ignorar essas mensagens parece arriscado e grosseiro. Alguma sugestão? São Francisco. 

Seria realmente grosseiro negligenciar uma intromissão desnecessária no período que você dedica a si mesmo? Eu não acho. Você não deveria se sentir nem remotamente culpado por querer que seus dias de folga sejam... de folga.

É possível que sua chefe espere que você seja totalmente receptivo aos seus chamados, independentemente do que seja. Pode haver algum risco em subitamente ignorá-la. 

Parece que você pode ter, efetivamente, treinado sua chefe para esperar que você esteja constantemente disponível. Pode ser que agora você precise passar pelo processo de destreiná-la. 

Da próxima vez que você tirar um dia de folga, diga a ela antecipadamente que você não verificará seus e-mails. Você não deve entrar em detalhes. Não importa se você vai saltar de asa delta, ir a um velório ou apenas tirar um sabático "digital". Todo mundo fica inacessível às vezes. Você pode sugerir outras pessoas a quem ela poderia recorrer se questões a respeito de projetos específicos surgirem na sua ausência. 

Considere a hipótese de colocar uma resposta automática em seu e-mail: você está fora até segunda-feira (ou qualquer outra data) e não vai verificar as mensagens. Quando voltar ao escritório, destaque que foi muito bom fazer uma pausa para clarear as ideias e que, em razão disso, você está pronto para voltar ao trabalho. 

Eu acredito que isso vá soar como algo maluco, mas você poderia também ignorar sua caixa de e-mails por um dia (além de ser genuinamente revigorante, isso vai testar se, sem realmente perceber, você aprecia secretamente a dependência que sua chefe tem de você).

Pelo menos não responda instantaneamente se ela enviar e-mails, apesar de sua advertência. Talvez ela tente outras opções em vez de esperar. Se e quando você responder, tente fazer com que ela fale com outra pessoa, talvez indicando diretamente o colega em questão.

Gradualmente, você deve conseguir treiná-la para o fato de que incomodar você em seus dias livres não é a forma mais eficiente de resolver seu problema. 

Lidando com um colega incompetente

Cerca de uma ano atrás, um novo funcionário, "Jeff", foi contratado para trabalhar em nosso pequeno escritório. Rapidamente ficou claro que foi um grande erro. Ele desaparece por horas, faz longas ligações telefônicas pessoais e apresenta um rendimento bem ruim. Em suma, é um desastre. 

O chefe tem ignorado o fato (e outras questões) e, na verdade, elogiou Jeff. Quando um de nós foi até ele para indicar os problemas, ele alegou não saber o que acontecia e prometeu analisar a questão. Nada aconteceu. Posteriormente, ele disse que estava levando o problema para o departamento de recursos humanos, mas não fez nada. 

Estamos hesitantes em relatar a situação para instâncias superiores, já que tememos as consequências que isso pode ter para nós na empresa. Você recomendaria alguma estratégia? N.D.

Uma regra de ouro do Workologist se aplica aqui: fazer com que a gerência preste atenção a um problema geralmente depende de como você o apresenta. 

Qualquer reclamação sobre a atitude de um colega é facilmente considerada um conflito pessoal. Por outro lado, evidências específicas de um efeito negativo na organização são difíceis de ignorar. Então, em vez de dizer "Jeff é um idiota preguiçoso",  é melhor que soe como algo "Este projeto vai demorar porque Jeff está atrasado e esteve fora a maior parte do dia".

Tome notas a respeito de comportamentos problemáticos (como o absenteísmo não autorizado) e os conecte o mais diretamente possível às suas consequências. quando você for falar com seu chefe; atenha-se aos fatos e evite julgamentos pessoais. Chefes, como todo mundo, geralmente já têm muito a fazer e (conscientemente ou não) acham mais fácil ignorar alguns fatos até serem convencidos que de a vida será mais fácil no longo prazo se ações forem tomadas imediatamente. 

Se você está preocupado com a possibilidade de desrespeitar a hierarquia e comunicar o fato aos superiores do seu chefe, considere a hipótese de expandir em vez de apenas trocar o alvo da reclamação. Você pode ir até ele e ao departamento de recursos humanos e passar a mesma mensagem, além de informar cada um que a reclamação foi feita para a outra instância. E a explicação sobre o atraso no projeto pode ser enviada tanto para o chefe quanto para seus superiores, ao mesmo tempo. 

Finalmente, obviamente, há o "Jeff". É possível que se você apresentar a questão a ele e mostrar as consequências (como opostas a seu caráter), ele possa de adaptar?

De qualquer forma, é importante manter a mente aberta à possibilidade de que ele pode mudar. Você pode não acreditar que isso é possível, mas dar a ele o benefício da dúvida vai ajudar você a manter o foco nos fatos que afetam todo o escritório, e não numa antipatia que é difícil de quantificar. 

 

Avaliação dos colegas: evitando festas com bebidas

No que diz respeito à dificuldade de um leitor  abstêmio em eventos ligados ao trabalho nos quais os colegas esperam que ele compartilhe vinho e coquetéis, eu encontrei duas respostas, em meus 28 anos de sobriedade, que podem ajudar: "Desculpe, estou no limite da minha vida útil" e "Sou alérgico ao álcool. Quando eu bebo, saio algemado." Elas não são apropriadas para todas as situações, claro, mas uma ou a outra geralmente funciona. EMILE, SAN DIEGO

Embora essa abordagem possa não funcionar para todo mundo, não é uma má ideia se você puder usá-las. Um pouco de humor pode ajudar a suavizar qualquer possível situação embaraçosa para os dois lados a conversa: envia uma mensagem firme, evita que a questão se torne pessoal e mantém a leveza do tom da conversa. Uma advertência: se você usar esta estratégia, certifique-se de que tem uma ideia razoável do que a sua audiência considera apropriado.  (Tradução de Priscila Arone)

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