Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Operações da Polícia Federal impulsionam carreiras jurídicas no País

Conscientização da necessidade de combate e prevenção de atos ilícitos deve criar oportunidades na área

O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 05h00

Grandes operações de combate ao crime, como a Lava Jato e a Zelotes, estão movimentando o mercado de trabalho ligado à área jurídica, com foco em compliance e governança corporativa. De acordo com especialistas, é cada vez maior a importância de desenvolver equipes dedicadas ao tema, promessa de sucesso para quem deseja apostar na carreira.

Segundos dados do Ministério da Educação (MEC), o número de matrículas no curso de Direito cresceu 35% nos últimos cinco anos, enquanto o País já somava 1 milhão de advogados. Entre eles, Hevandro Cerutti, que cursa pós-graduação em Prevenção e Combate à Corrupção no Centro de Estudos CERS. Promotor de Justiça há 10 anos, ele integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público em Roraima e vê a área como uma das mais promissoras para quem busca uma colocação.

“O que vemos hoje não é apenas uma mudança para quem trabalha com compliance, mas principalmente uma alteração na cultura da sociedade quando falamos em combate ao crime. E isso é o que fica para além das operações, por isso aposto que continurão surgindo oportunidades de emprego”, explica ao comentar porquê escolheu especializar-se nessa área.

Para além das ações da Polícia Federal, esse profissional também é responsável por garantir a existência das boas práticas dentro das empresas, cumprindo todas as leis, acordos e regulamentos. “As companhias valorizam cada vez mais esses aspectos e sabem do valor que isso tem. Na instituição, vemos que até mesmo quem não é da área jurídica procura um espaço para trabalhar no setor”, comenta o presidente do Grupo CERS, Renato Saraiva.

Mais do que uma moda passageira, provocada pelos holofotes sob as grandes operações, ele aposta que o bom momento vivido pela área jurídica voltada para o compliance é uma tendência para os próximos anos. “Vemos ações da PF que deixam um verdadeiro legado para o Brasil de que a lei serve para todo mundo. Outras iniciativas semelhantes virão, abrindo cada vez mais o campo para esses profissionais.”

Além das carreiras públicas, Saraiva acredita que empresas privadas também estarão de olho nesses advogados. “O segmento empresarial deve atrair bastante gente. Esse cenário tem a ver não apenas com o combate, mas também a mudança de cultura das corporações, que buscarão por equipes dedicadas a prevenção de atos ilícitos”, diz.

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