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A escassez de talentos, do Brasil à China

Autor Claudio Fernández-Aráoz diz que os dois países sofrem com falta de profissionais

16 de novembro de 2011 | 23h 00
Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO -

Remuneração deve ser justa, mas não excessiva, afirma Claudio Fernández-Aráoz - Divulgação
Divulgação
Remuneração deve ser justa, mas não excessiva, afirma Claudio Fernández-Aráoz

Com mais de 20 anos de experiência em recrutamento e seleção de executivos, o argentino Claudio Fernández-Aráoz, consultor da suíça Egon Zehnder, conseguiu levar o conceito de valorização de bons profissionais onde se podia imaginar que bastava a força para fazer alguém trabalhar: o Partido Comunista chinês. "O Brasil e a China são similares em um sentido: ambos são vítimas da extrema escassez de mão de obra", afirma.

Aráoz conta que o Partido Comunista tem uma escola dedicada a formar novos líderes para as grandes corporações estatais da China, onde seu best seller Grandes Decisões sobre Pessoas é leitura obrigatória (o título local para a obra é O Livro Sagrado do Talento). Segundo o especialista, a receita para formar e reter talentos é universal. E o segredo não está na força nem muito menos na remuneração. "O elemento chave é encontrar as pessoas certas, que tragam para o dia a dia do trabalho a rara combinação de arrojo e humildade."

Sozinha, a remuneração não é suficiente para reter profissionais que possam dar contribuição relevante a um negócio. Embora seja possível argumentar que dinheiro é um fator vital no mercado de trabalho, Aráoz afirma que, em situações extremas, fica claro que o ser humano não está em busca apenas de recompensas financeiras. "Durante os ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, as pessoas que perceberam que morreriam e estavam presas nos edifícios, não ligaram para seus consultores de investimento. Tentaram falar com as pessoas que amavam", argumenta. "No fim das contas, dinheiro não é o que a gente procura."

Em termos financeiros, a recomendação de Aráoz para as empresas é simples: a remuneração deve ser justa, estando em linha com a média praticada no mercado de trabalho. O consultor cita uma experiências com macacos para exemplificar a importância do tratamento uniforme. "Em um caso, a recompensa dos macacos que passavam por um treinamento era um pedaço de pepino, produto que eles trocavam entre si. Quando os cientistas começaram a trapacear e dar uvas a alguns macacos, os animais interromperam o escambo porque se tratava de uma situação injusta", explica. "Neste sentido, nós não somos muito diferentes. Queremos ser recompensados de maneira equitativa."

Valores. O que os profissionais atualmente buscam, na visão de Araóz, são três condições básicas. A primeira é autonomia, que reflete a confiança em sua capacidade. A segunda é o acesso a ferramentas para que a pessoa possa se tornar uma dos melhores em determinado ramo. E a última, e mais importante, é um propósito maior para a atividade desempenhada. "É por isso que a figura do líder é tão importante: é o chefe quem vai identificar as necessidades de desenvolvimento e significado que seus funcionários necessitam."

À medida que o mercado ficou mais competitivo - hoje, não é raro grupos gigantes desaparecem de um dia para o outro em processos de fusões e aquisições -, o especialista diz que o foco da realização profissional mudou da sobrevivência para o conhecimento. "A pergunta que um profissional deve fazer ao receber uma proposta de trabalho é: Essa mudança fará de mim um profissional melhor dentro de cinco anos?", aconselha Aráoz.





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