1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Diferença salarial entre homens e mulheres sobe conforme escolaridade

- Atualizado: 08 Março 2016 | 11h 50

Ter trajetória semelhante e ocupar mesmo cargo ainda não é suficiente para dar à mulher um salário igual ao do homem

Ela passa pelo menos 15 anos da vida se dedicando aos estudos. Faz estágio, é efetivada e promovida. Vai ao exterior fazer MBA e, quando retorna, ganha nova promoção. Muda de empresa. Vê a carreira deslanchar. Assume uma diretoria. E descobre que seu colega de outra diretoria, com trajetória semelhante, tem um salário mais alto. Para ser mais exato, 34% maior. A relação é diretamente proporcional: quanto maior o grau de instrução, maior a diferença de salários entre mulheres e homens.

 

Os dados, coletados no último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de 2015, são uma evidência, entre tantas outras, de que a discussão sobre diferenças de tratamento entre gêneros está longe de acabar - e reconhecer a existência dessa defasagem é um passo fundamental para solucionar a questão. “É comum ouvir que o tema ‘está batido’, mas, quando as empresas investigam, percebem que as mulheres realmente ganham menos”, explica a professora do Insper, Regina Madalozzo, estudiosa do mercado de trabalho para mulheres.

A diferença de salários de homens e mulheres em relação à escolaridade pode ser explicada pela subjetividade das avaliações que elas recebem ao longo da carreira e que são vinculadas diretamente a bonificações, prêmios e aumentos. “Mulheres têm mais dificuldades de serem bem avaliadas por seus gestores”, afirma Regina. “Devido ao fato de a cultura de competição das empresas ser percebida pela sociedade como um fator mais masculino do que feminino, uma mulher raramente é bem avaliada quando há necessidade de ser assertiva”, explica.

E é por medo de obter uma avaliação negativa que as mulheres costumam pedir aumento de forma mais cautelosa e menos frequente do que os homens, numa espécie de autocensura que contribui para que a disparidade de salários seja tão resiliente. “Muitas vezes, infelizmente, a empresa acha que a mulher que pede aumento de salário não cumpre o estereótipo que se espera dela”, aponta Regina. 

Para alguns, isso pode parecer arcaico, mas há menos de dois anos uma declaração do CEO mais bem pago do mundo, o indiano Satya Nadella, da Microsoft, gerou mal-estar generalizado no mundo dos negócios. Diante de uma plateia feminina, Nadella ‘aconselhou’ as mulheres a não pedir aumento de salário, explicando que elas deveriam ter fé de que o sistema dará os aumentos corretos quando elas forem subindo na carreira. “Não pedir aumento traz bom karma e ajuda um chefe a distinguir se o empregado é confiável”, acrescentou. Mais tarde, ele pediu desculpas e se disse um defensor de salários iguais para cargos iguais. 

Mulheres driblam o preconceito no mercado de trabalho
Malena Oliveira/Estadão
E, no entanto, ainda ganham menos

Apesar das conquistas no mercado de trabalho, as mulheres ainda ganham menos que os homens. O mais grave é que essa diferença aumenta conforme o nível de escolaridade. Ou seja: quanto mais qualificada é a profissional, menos ela ganha em relação a alguém do sexo masculino que ocupe um cargo semelhante. Leia mais na reportagem e veja a seguir alguns depoimentos de executivas que conquistaram o próprio espaço. 

Preconceito. Uma pesquisa da Robert Half, empresa especializada em recrutamento, concluiu que a distância entre os gêneros está presente não só na questão de equiparação salarial, mas, principalmente, nas oportunidades de crescimento, desenvolvimento e respeito pelas mulheres.

O estudo ‘Mulheres e o Mundo Corporativo’, realizado com cerca de 300 profissionais brasileiras em fevereiro deste ano, mostra que 66% delas já sofreram preconceito no trabalho. Além disso, 60% das entrevistadas dizem ter escutado comentários preconceituosos e 47% já tiveram suas habilidades questionadas em momentos de crise.

Para Claudia Baggio, sócia da consultoria Deloitte, o preconceito não deixou de existir, apesar de as mulheres terem conquistado seu espaço no mercado de trabalho. “Minha esperança é que tenhamos de discutir muito pouco este assunto no futuro”, diz. Até lá, porém, a discussão permanece. (Colaborou Malena Oliveira)

 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX