É possível ter harmonia nos negócios familiares
As regras da sociedade devem ser claras para evitar risco de brigas e rompimentos
SÃO PAULO -

No Brasil, 90% das empresas são formadas por membros de uma mesma família. Trabalhar com pessoas com as quais existe uma ligação afetiva, no entanto, nem sempre é fácil e, por isso mesmo, apenas 15% destas famílias conseguem passar o patrimônio para a terceira geração, informa o administrador de empresas, Eduardo Najjar, especialista em desenvolvimento de projetos em negócios de família.
"Muitos acham que para criar uma empresa, basta ter um contrato social regendo sua existência e natureza. Infelizmente não definem como será o exercício da sociedade. Apenas loteiam entre si o desafio de tocar o negócio", diz o consultor de desenvolvimento de boas práticas de governança Luiz Marcatti. De acorod com ele, o melhor momento para definir as regras é quando tudo está bem, porque existe mais flexibilidade para ouvir opiniões contrárias.
Na visão de Najjar, um dos principais riscos é a empresa depender da organização da família para sobreviver. "Se a família vai mal, a empresa, a médio prazo, está condenada", garante.
Antes de ocorrer um conflito, os sócios da pizzaria Família Lucco, resolveram dividir a sociedade. "Meu bisavô foi o primeiro pizzaiolo da Lapa e nos deixou a receita de massa que usamos até hoje", conta Rodolfo Casagrande Neto, atual responsável pela pizzaria, fundada há 30 anos.
"A sociedade era entre meu pai e meu tio, mas a administração era feita por meu primo que, quando casou, resolveu colocar seu cunhado e sua mulher para administrarem a filial instalada nos Jardins. Nesse momento, decidimos repartir a sociedade. Mas não houve briga", ressalta.
Uma boa estratégia para evitar conflitos é criar um conselho de família, para que as decisões sejam tomadas por meio de um pacto familiar, aconselha Tatsumi Ebina, consultor na área de gestão e liderança.
"Se essa estrutura for muito bem montada e conduzida, minimiza os conflitos, mas a ausência dela é problema na certa."
Outro ponto importante, segundo Ebina, é a escolha de quem atua diretamente dentro da empresa. "A comprovação de competência para a gestão é essencial. Se a família tem uma pessoa altamente competente, ela pode ser elegível pelo conselho para ocupar o cargo."
Mas afinal, o que é ser sócio? "É respeitar o espaço do outro, que é tão dono quanto você. É dar satisfação, porque não pode haver surpresas. A confiança entre os sócios é que vai garantir a boa relação", afirma Najjar no livro ‘Empresa Familiar - Construindo equipes vencedoras na família empresária’.
O consultor do Sebrae-SP Reinaldo Messias, alerta para os cuidados com a sucessão na empresa. "Ela deve ser planejada com antecedência e deve ser dada ao herdeiro a opção de escolha. Porque não é apenas uma questão de herança, mas de competência." Messias cita a frase do escritor Peter Drucker, para fazer um alerta: "A empresa e a família somente sobreviverão e se sairão bem, se a família servir à empresa e não o contrário."
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