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Em Wall Street, o fracasso continua a ser recompensado

Apesar das críticas, executivos demitidos de grandes empresas levam para casa pacotes de remuneração gigantes

05 de outubro de 2011 | 23h 00
The New York Times

NEW YORK - Há duas semanas, Léo Apotheker foi demitido após 11 tumultuados meses à frente da HP. Sua recompensa? Um pacote de desligamento avaliado em US$ 13,2 milhões em dinheiro e ações, além de um pacote recebido por ocasião da sua contratação estimado em US$ 10 milhões.

No fim de agosto, Robert P. Kelly recebeu um pacote de desligamento de US$ 17,2 milhões em dinheiro e ações quando foi demitido do cargo de diretor executivo do Bank of New York Mellon depois de entrar em conflito com membros do conselho e alguns dos principais administradores da instituição. Dias depois, Carol A. Bartz levou para casa quase US$ 10 milhões do Yahoo depois de ser demitida da combalida gigante das buscas.

Marco da era dourada de poucos anos atrás, os pacotes de desligamento continuam a prosperar, apesar das medidas instaladas após a crise global para combater essa remuneração.

Há muito os críticos se queixam de pacotes desproporcionais de compensação que superam em muito o salário dos trabalhadores comuns, mas eles se mostram particularmente irados diante da remuneração do fracasso. Boa parte de Wall Street e do setor corporativo americano transferiu uma porção maior da remuneração para recompensas de prazo mais dilatado, sob a forma de ações, e estabeleceram políticas para recuperar as bonificações.

E, embora uma maior transparência nos detalhes dos pacotes de desligamento de anos atrás tenham ajudado a reduzir as proporções dos maiores pacotes do tipo, os esforços dos acionistas e reguladores para restringir ainda mais a remuneração tiveram menos sucesso. "Continuam a se repetir as situações nas quais os ativos das empresas são dissipados para recompensar o fracasso", disse Scott Zdrazil, diretor de governança corporativa do Fundo Longview. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL





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