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Seu chefe espiona o que você faz?

The Atlanta Journal-Constitution - O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2014 | 18h 21

Acompanhar o paradeiro dos trabalhadores pode aumentar a produtividade, mas qual o limite para isso?

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Até que ponto as empresas podem coletar dados sobre os funcionários?

Conforme a fronteira entre o horário de trabalho e o tempo livre em casa se torna cada vez menos clara, tecnologias de rastreamento se tornam preocupação.

Numa era de smartphones e tablets distribuídos pelo empregador e equipados com GPS, os chefes têm agora a tecnologia para rastrear cada passo de seus funcionários, do momento em que acordam até a hora de dormir.

As empresas dizem que a capacidade de rastrear funcionários pode ser boa para os negócios. Ela pode, por exemplo, ajudar a aprimorar a segurança, garantindo que caminhoneiros dirijam com prudência e gozem do descanso exigido por lei. O rastreamento também pode tornar as empresas mais produtivas e competitivas por meio do monitoramento do desempenho e da produtividade.

Etta Epps, motorista da empresa de entregas UPS há 10 anos, disse ter plena consciência da vigilância que a gigante da logística lança sobre seus passos por meio de GPS e sensores em seu caminhão.

"Todos os dias, prestamos atenção para não fazer isto ou aquilo, pois sabemos o quanto estamos sendo monitorados", disse Etta.

Mas essas capacidades também significam que os empregadores podem facilmente acompanhar os movimentos de todos, desde a equipe de vendas até os executivos, seja no trabalho ou em casa.

Isto traz questões para o mundo do trabalho do século 21: até que ponto as empresas podem coletar dados a respeito do paradeiro de seus funcionários, e como esses dados devem ser utilizados? Como fica um executivo ou administrador que lida com assuntos e telefonemas ligados ao trabalho durante as noites e finais de semana, ou que trabalha em horários flexíveis a partir de casa? Quais devem ser os parâmetros, quem define os limites, e onde e quando o funcionário tem direito à privacidade?

Há poucas leis e casos nos tribunais para ajudar empresas e funcionários a compreender os limites, deixando algumas áreas cinzentas para a proteção da privacidade dos trabalhadores.

Algumas empresas dizem em seus manuais ou diretrizes que se reservam o direito de realizar alguns tipos de monitoramento dos funcionários. Isso diminui a probabilidade de o monitoramento ser considerado uma invasão de privacidade.

"No geral, não existe muita privacidade no ambiente de trabalho dos Estados Unidos", disse Marisa Pagnattaro, professora de direito da Faculdade de Administração Terry da Universidade da Geórgia.

Etta, a motorista da UPS, acredita ter pouca privacidade no trabalho. Ela dirige um caminhão pertencente a uma empresa que está entre as mais ávidas usuárias das tecnologias de rastreamento de veículos e funcionários.

Com sede em Sandy Springs, a UPS usa a "telemática", com mais de 200 sensores em cada veículo que acompanham não apenas a posição e dados do motor, mas também velocidade, tempo de ociosidade, freadas bruscas, número de vezes em que a marcha ré foi acionada e uso correto do cinto de segurança.

Etta diz que já foi "advertida" por usar o dispositivo móvel de trabalho enquanto o caminhão estava em movimento, ou por vezes em que a porta do compartimento de carga foi aberta enquanto ela dirigia.

"Às vezes esquecemos de algum detalhe… São deslizes", disse Etta.

"Querem rastrear tudo que fazemos. Ninguém quer ser monitorado, mas é algo que está além do nosso controle. Não há nada que possamos fazer a respeito disso."

A empresa terminou de equipar sua frota de caminhões nos EUA em 2012, e diz que os dados ajudam a melhorar a segurança, a manutenção dos veículos e o treinamento dos funcionários, resultando numa redução de custos com a redução do tempo de ociosidade, por exemplo. A UPS usa os dados para incentivar os motoristas a reduzir o número de vezes em que usam a marcha ré, fator que costuma contribuir para acidentes.

"Ninguém percebe o quanto fazemos isso com frequência até chamarem nossa atenção para este fato", disse Randy Stashick, vice-presidente global de engenharia da UPS. Tradução de Augusto Calil

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