Compra direta de título rende mais no longo prazo
SÃO PAULO - Ao entrar em um fundo de previdência privada ou em fundos de renda fixa e DI com o objetivo de planejar a aposentadoria, o investidor, na realidade, está aplicando de uma maneira indireta em títulos públicos, já que a carteira desses planos (mais conservadoras) é formada basicamente por esses papéis.
Para quem possui disciplina suficiente para ter uma regularidade nos investimentos e não sacar os recursos antes da aposentadoria, no entanto, a aplicação direta em títulos públicos pode ser uma maneira mais barata e rentável de planejar a previdência, segundo analistas.
"A aposentadoria com títulos públicos tem uma série de vantagens. Mas, nos fundos, as taxas de carregamento (cobrada nos fundos de previdência) e de administração (cobrada tanto nos fundos de previdência quanto nos de investimento) consomem boa parte da rentabilidade do pequeno e médio investidor", diz o diretor de Operações da Petra Corretora, Ricardo Binelli.
A taxa de carregamento, cobrada em fundos de previdência privada, é uma tarifa arrecadada em cada aplicação feita nos planos. Se um fundo tem uma taxa de 3%, por exemplo, o investidor que aplica R$ 100 por mês, na prática, está direcionado apenas R$ 97 ao plano.
Além disso, no caso dos fundos de renda fixa e DI, há uma cobrança semestral de Imposto de Renda, conhecida como "come-cotas". Ao longo do tempo, ela também interfere na rentabilidade. Após 30 anos, por exemplo, a diferença entre uma poupança acumulada em títulos e outra acumulada em fundos com "come-cotas" pode chegar a 39,5%.
As altas taxas de administração de alguns fundos de previdência e de renda fixa e DI – que podem chegar a 6,5% ao ano, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) – também pesam ao longo dos anos.
No Tesouro Direto, de outro lado, muitas instituições não cobram tarifa, o que deixa o custo da operação mais barato.
Para comprar títulos públicos, basta que o investidor tenha uma conta em uma corretora ou em um banco. Os papéis são adquiridos pelo site do Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto) e, em algumas corretoras, pela própria plataforma online de negociação de ações (home broker). Basta acessar um dos sistemas escolher um dos diversos títulos disponíveis e confirmar a compra.
A melhor escolha
Ao se deparar com 16 títulos com diferentes vencimentos, o investidor fica em dúvida sobre qual seria a opção mais adequada para a aposentadoria. Existem dois grupos de papéis: os prefixados, cujo retorno é definido momento da compra; e os pós-fixados, que podem ser corrigidos pela taxa básica de juros (Selic) ou pela inflação mais um juro fixo.
"O objetivo de uma pessoa que quer chegar à aposentadoria com boa situação financeira é manter o padrão de vida. Nesse sentido, os papéis de inflação devem compor a maior parte da carteira de renda fixa, 60% ao menos, pois garantem que o investidor não perderá poder de compra por causa do aumento dos preços", afirma o gerente-executivo da Diretoria de Varejo do Banco do Brasil (BB), Antonio Cássio Segura.
"Pelo cenário atual, a inflação deve pressionar a economia antes que o governo resolva subir o juro. Por isso, são os papéis mais adequados", completa o gerente comercial da Corretora Ágora, Hélio Pio.
Há dois tipos de títulos de inflação: a Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que paga um juro fixo a cada seis meses mais variação do IPCA no vencimento, e a NTN-B Principal, que remunera o investidor somente no vencimento da aplicação. Especialistas recomendam que, durante o período de acumulação da reserva, os títulos de inflação escolhidos sejam as NTNs-B Principal.
Assim, o investidor não tem o trabalho de reaplicar o dinheiro a cada seis meses e ficar à mercê da taxa praticada no mercado no momento. De acordo com especialistas, na reaplicação, o juro pode estar em um momento de baixa.
A principal desvantagem da aposentadoria em títulos públicos apontada por especialistas é o fato de que a aplicação no Tesouro Direto entra em inventário caso o poupador faleça, o que não ocorre com o investimento em fundos de previdência privada. "O processo pode ser moroso e há um custo no espólio", alerta Binelli.
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