Manutenção da Selic deve favorecer títulos atrelados à inflação
Adiamento do ciclo de alta da taxa de juro básica faz com que os papéis prefixados tenham volatilidade no curto prazo; impacto sobre a Bovespa virá na próxima reunião do Copom, em abril
SÃO PAULO - A manutenção da taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 17, em um primeiro momento pode parecer não mudar nada nos investimentos de renda fixa, mas, segundo especialistas, influencia as perspectivas dos títulos públicos. O início do ciclo de alta da Selic, adiado mais uma vez pelo Banco Central, faz com que os prefixados tenham volatilidade no curto prazo e com que os pós-fixados de inflação fiquem mais atrativos.
"Os títulos prefixados já estavam precificando em seu valor e em sua taxa um aumento do juro básico nesta reunião. Como foi mantido, a tendência é que o rendimento oferecido recue um pouco", explica o supervisor de renda fixa da corretora SLW, Rogério Adriani Rosa. "Eles devem ter volatilidade no curto prazo", diz o pesquisador do Instituo Assaf, Alexandre Assaf Neto.
Segundo Assaf, os papéis podem ser muito procurados no curtíssimo prazo por investidores que querem aproveitar o retorno oferecido, ainda embutindo a alta da Selic. Veja no infográfico os juros do Tesouro Direto.
Já a rentabilidade dos papéis de inflação tende a melhorar. "Com o juro no mesmo patamar, pode haver uma pressão inflacionária lá na frente", aponta Assaf Neto. Nesse cenário, os títulos de inflação tornam-se uma boa alternativa. Estes papéis pagam ao investidor uma remuneração fixa mais variação da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No último boletim Focus do Banco Central, com a projeção do mercado para algumas variáveis macroeconômicas, a expectativa para a inflação subiu para 5,03% na semana passada, ante 4,99% na semana anterior.
Bolsa
Para Sérgio Correia, economista da LLA Investimentos, a manutenção da taxa básica de juros neste mês não altera os movimentos da Bolsa no País. Porém, o especialista salienta que daqui a 45 dias, quando houver a próxima reunião do Copom, ocorrerá forte oscilação na Bolsa, pela expectativa em relação ao resultado da Selic. "Além disso, provavelmente, em abril não será o (Henrique) Meirelles o presidente do BC, fato que estimula ainda mais a incerteza sobre o resultado do juro", avalia.
O economista diz ainda que a manutenção ocorrida neste mês ocasionará em uma alta de 1% em abril. "É como se o BC tivesse segurado a ascensão deste mês para aumentar tudo na próxima reunião".
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