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APESAR DA ALTA DO DÓLAR, ENXOVAL AINDA É MAIS BARATO NOS EUA

Valorização da moeda americana amenizou pouco a diferença de preços, e compras no exterior continuam vantajosas, até com pagamento de imposto

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Natália Cacioli

27 Abril 2015 | 05h00

Apesar da alta de 33% do dólar frente ao real nos últimos 12 meses, muitas famílias brasileiras ainda escolhem fazer o enxoval de seus filhos no exterior em busca de variedade, qualidade e, principalmente, economia. A diferença de preços entre produtos idênticos vendidos nos Estados Unidos e no Brasil chega a 300% em alguns casos. 

A gerente de contas Bárbara Cozzi e seu marido, Demetrio Cozzi, fizeram o enxoval de suas trigêmeas em Miami em dezembro do ano passado, quando o dólar estava em torno de R$ 2,65. Por causa da valorização da moeda, o casal precisou refazer as contas, mas não cogitou desistir da viagem. "Fizemos o primeiro orçamento em setembro, e precisamos refazê-lo no início de dezembro. Optamos por lojas mais baratas e trouxemos tudo o que queríamos", disse Bárbara.

O casal trouxe 27 mamadeiras, três carrinhos, três bebês conforto e muitas roupas. Para Bárbara, a compra no exterior vale a pena se o casal quer variedade de produtos ou marcas consideradas de luxo no Brasil, porque, mesmo com o pagamento do Imposto de Importação na alfândega, o preço final continua mais vantajoso. O carrinho escolhido por Bárbara, por exemplo, custou R$ 1.300, incluindo o tributo. No Brasil, ele custaria o dobro.

Segundo as regras da Receita Federal, a cota de isenção de imposto em via aérea ou marítima é de US$ 500. Acima disso, os produtos declarados são tributados a uma alíquota única de 50%, aplicada sobre o que ultrapassar a cota. Se a declaração não for feita e houver fiscalização, o viajante será multado em 50% do valor excedente, mais o imposto devido.

Para artigos de vestuário, a isenção pressupõe a utilização da peça no exterior e depende do duração da viagem. Caso a criança ainda não tenha nascido ou não esteja com os pais na viagem, os fiscais poderão, sim, taxar o enxoval. Além da tributação, o Fisco ainda impõe um limite na quantidade de peças: o viajante pode trazer até 20 unidades, sendo até três idênticas. E caso o produto custe menos de US$ 10, o limite permanece idêntico, mas em vez de três, 10 peças poderão ser iguais. 

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'Custo Brasil' e 'lucro Brasil' explicam diferença de preços

Cadeia de taxas e tributos pode custar de 60% a 100% do preço inicial do produto, mas desejo de consumo do brasileiro também influencia valores

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Natália Cacioli

27 Abril 2015 | 05h00

A carga tributária sobre produtos importados e outros custos, como tarifas de frete, seguro e armazenagem, explicam parte da diferença de preços entre Brasil e EUA, segundo o professor de economia do Insper Otto Nogami. A cadeia de taxas e impostos no Brasil pode custar de 60% a 100% do preço de custo do produto.

Um item muito procurado por mães brasileiras é um carrinho de luxo da marca norueguesa Stokke. Nos Estados Unidos, o modelo Xplory custa de R$ 2.670 a R$ 3.300. No Brasil, é vendido por mais de R$ 8 mil. 

O preço de custo do carrinho é de R$ 1.560, segundo a importadora Infinito. A companhia gasta outros R$ 660 com impostos de importação, e ainda acrescenta ao preço de venda custos de frete, armazenagem e transporte. “Se fizermos tudo bem feito, nossa margem de lucro fica entre 5% e 6%", explica o diretor da Infinito, Luis Fernando Palomares, que  vende o carrinho para as lojas por R$ 2.650.

Outro item procurado é a mamadeira Avent, da Philips. O kit com três unidades custa R$ 48 nos EUA, enquanto no Brasil uma única peça é vendida por R$ 59,90. 

De acordo com diretora de marketing da área de Saúde Pessoal da Philips para a América Latina, Alina Asiminei, a mamadeira é produzida na Inglaterra e exportada para vários países. Além da questão tributária, Alina diz que o custo com logística é um dos fatores que pesa sobre o preço final do Brasil. Sobre a margem de lucro praticada pela empresa, a diretora diz que as regras para construção do preço são as mesmas em qualquer lugar do mundo. 

A babá eletrônica Summer Touch  tem a maior diferença de preço entre os produtos pesquisados: R$ 470,70 nos EUA e R$ 1.899 no Brasil, quatro vezes mais caro.

Para Nogami, professor do Insper, o chamado "custo Brasil" é responsável por boa parte da diferença de preços, mas que o "lucro Brasil" também tem influência. "Enquanto o comerciante americano se contenta com uma margem de 5%, o brasileiro busca uma margem maior por causa da instabilidade econômica e do efeito inflacionário". 

Segundo o professor, há também uma razão comportamental que influencia os preços. "O comerciante testa o consumidor para saber quanto ele está disposto a pagar. A capacidade de consumo do brasileiro é recente, então há um certo deslumbramento e um desejo muito grande de consumir", diz.

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Consultoras organizam compras de enxoval nos EUA

Equipe faz o planejamento das compras de acordo com os gostos e o orçamento de cada família e acompanha os casais em quatro cidades americanas 

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Natália Cacioli

27 Abril 2015 | 05h00

O desejo de brasileiros de montar o enxoval de seus filhos nos Estados Unidos fez Paula Laffront, brasileira de 34 anos, montar o próprio negócio. Ela formou uma equipe de nove consultoras, que fazem o planejamento do enxoval de acordo com os desejos e o orçamento de cada família. Feito isso, elas acompanham os pais em pelo menos dois dias intensos de compras na cidade escolhida, que pode ser Miami, Orlando, Nova York ou Las Vegas.

O serviço custa a partir de US$ 400 e, segundo Paula, os casais gastam de US$ 3 mil a US$ 8 mil em compras. Apesar da alta do dólar, a empresária que já atendeu mais de 1 mil famílias nos últimos cinco anos vê o negócio crescer. "A procura pelo serviço não diminuiu, muito pelo contrário. O que o cliente faz é reduzir um pouco o orçamento e fazer as compras com mais foco", diz.

Mas se os clientes da Paula continuam dispostos a gastar com enxovais, muitos brasileiros já colocaram o pé no freio ao viajar para o exterior. Segundo dados do Banco Central, houve  retração de 18% na despesa dos turistas brasileiros fora do País em março ante o mesmo mês do ano passado, no total de US$ 1,5 bilhão. No primeiro trimestre, os gastos caíram 10,5%.

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