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Aplicativos e robôs ajudam a poupar e investir sem gastar (muito) dinheiro

Veja seleção de fintechs - empresas que unem tecnologia e serviços financeiros - que ajudam a organizar as contas e descomplicar investimentos

Hugo Passarelli, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2016 | 09h28
Atualizado 23 Maio 2016 | 13h41

SÃO PAULO - Controlar os gastos e investir ainda é uma barreira para muitos brasileiros. Mas uma nova leva de empresas promete descomplicar o ato de economizar e aplicar para o futuro. São as fintechs, que unem tecnologia e serviços financeiros.

O Estado fez uma seleção de empresas, que vão de aplicativos de controle de gastos a robôs automatizados para realizar investimentos. 

“As fintechs tendem a ser focadas no usuário e a resolver problemas específicos”, afirma Lauro Gonzalez, coordenador do centro de estudos em microfinanças e inclusão financeira da FGV. Ele ressalta que essa prática se contrapõe aos bancos, que oferecem “produtos de prateleira” para um público amplo. 

Para começar, a dica é ficar mais próximo do mundo de taxas, prazos e juros. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, realiza simulações simples e permite saber, por exemplo, qual será o rendimento de uma aplicação.

Os que estão interessados em controlar melhor as despesas podem baixar o aplicativo GuiaBolso. Criado em 2014, o aplicativo conecta a conta bancária do usuário ao aplicativo e categoriza automaticamente os gastos. Em pouco tempo, é possível descobrir se o dinheiro do cafezinho após o almoço está pesando no orçamento ou se há outra gordura para queimar.

Quem já passou do primeiro passo pode começar a escolher onde investir. O aplicativo Renda Fixa compara taxas e retornos do Tesouro Direto, letras financeiras (LCI, LCA), CDBs, entre outros. 

Ele foi criado pelo desenvolvedor de software Francis Suenaga Wagner, de 32 anos. A ideia surgiu quando, já afastado de empregos em bancos, Wagner passou a estudar o mercado de renda fixa. “Eu me perguntava: quem tem a melhor taxa?”

Investimento. Depois de organizar as contas, chegou a hora de investir. Nessa tarefa, os robôs automatizados (ou robo-advisors, no jargão em inglês) despontam como alternativa. Em comum, eles fazem testes para traçar o perfil do usuário. Depois, um algoritmo indica, a partir dos dados coletados, o mix mais adequado entre títulos do Tesouro, ETFs (fundos que replicam índices de ações, como o Ibovespa) ou até fundos.

Uma dessas empresas é a gaúcha OiWarren, que ainda realiza testes e deve abrir em julho. “Queria tirar essa experiência de que investir é chato”, conta Tito Gusmão, sócio da empresa com seu irmão, André Gusmão, 33 anos, e Rodrigo Grundig, 29 anos. Os três têm experiência no mercado financeiro e em empresas de tecnologia. 

A OiWarren tem o plano de permitir investimentos a partir de R$ 1 mil. Isso porque, segundo Gusmão, a fintech vai se apoiar na instrução 558 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em vigor desde janeiro deste ano, a normativa permite que uma gestora de investimento também faça a distribuição de seus produtos.

Na prática, a OiWarren não vai precisar de uma corretora, ao contrário de suas competidoras - Magnetis e Vérios. A novata vai concentrar a interação com o usuário por meio de um aplicativo.

Na Magnetis, aberta há três anos, o investimento mínimo é de R$ 25 mil, mas dois terços de seus clientes já aplicaram mais dinheiro após o montante inicial. “A maneira mais comum de calibrar os investimentos é por meio dos novos aportes”, conta Luciano Tavares, CEO da empresa.

Já na Vérios, que vem trabalhando com esse modelo no último um ano e meio, o aporte mínimo é de R$ 50 mil. “Criamos um produto tanto para quem não entende como para os que estão cansados de pesquisar”, diz o CEO da empresa, Felipe Sotto-Maior. Em testes para alguns clientes, a Vérios deve abrir para o público em geral até o fim do semestre.

A corretora parceira da Vérios é a Rico, que também tem o serviço, desde a semana passada, da americana Alkanza, presente em seis países da América Latina e Estados Unidos.

POUPAR, COMPARAR E DEPOIS INVESTIR

Calculadora do Cidadão

Aplicativo do Banco Central faz simulações simples, como o custo de um financiamento ou o rendimento de uma aplicação. Também é possível avaliar o custo de usar o rotativo do cartão de crédito em comparação a outras linhas de crédito - neste caso, há a desvantagem de as taxas de juros estarem desatualizadas.

 

GuiaBolso 

É a solução para quem não consegue anotar todos os gastos. Conecta a conta bancária ao aplicativo e categoriza automaticamente os gastos. Também permite estipular metas de economia e comparar os custos de linhas de crédito entre as instituições. Pondera ganhos e gastos e calcula a saúde financeira do usuário 

Renda Fixa

Compara rentabilidade e custos das aplicações em renda fixa como CDB, LCA, LCI ou Tesouro Direto. Possui um fórum onde os usuários podem trocar experiências. Os iniciantes também podem tirar dúvidas por meio de um chat - mas atenção, funciona apenas em horário comercial

Magnetis

Exige aplicação inicial de R$ 25 mil e distribui o dinheiro entre títulos do Tesouro, ETFs e fundos de investimento. Cobra taxa de 0,4% ao ano sobre o investido mais o custo do produto. Mais de 10 mil pessoas receberam recomendação de investimento- nem todas levaram os planos adiante. A corretora é a Easynvest.

Alkanza

Exige investimento mínimo de R$ 10 mil e cobra taxa de 0,5% ao ano sobre o valor investido. Para aplicações acima de R$ 1 milhão, a taxa é de 0,4% ao ano. Também cobra taxa de corretagem e de intermediação. Investe em títulos do Tesouro e ETFs e permite traçar diversos planos de investimentos.

Vérios

Assim como a Alkanza, tem como parceira a corretora Rico e exige aporte inicial de R$ 50 mil. A taxa é de 0,95% ao ano, cifra que já inclui todos os custos. Investe em títulos do Tesouro e ETFs da bolsa brasileira e norte-americana. Deve começar a operar até o fim do semestre.

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