Corretoras x bancos: compare serviços e preços antes de investir

Preços e diversidade de produtos pesam a favor das corretoras; bancos ganham pela praticidade no cadastro e na burocracia da operação

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

24 Julho 2012 | 08h31

Na hora de investir, a comodidade leva o poupador a optar por uma aplicação no banco de origem de sua conta corrente. Contudo, se os custos forem observados, a escolha pode recair por um produto oferecido por corretoras independentes. Em geral, elas são mais ágeis e baratas, mas requerem mais trabalho do investidor, que vai precisar transferir recursos a cada operação.

A XP Investimentos estima que a economia em taxas chega a 1% ao ano sobre o valor aplicado nas corretoras independentes. "Considerando que as pessoas poupam para a aposentadoria, seriam 35% em 30 anos. Uma diferença entre acumular R$ 1 milhão e R$ 1,350 milhão", afirma o presidente da empresa, Guilherme Benchimol.

No caso do mercado acionário, para o pequeno investidor, a grande diferença entre as duas formas de acessar a Bolsa é a maneira como é cobrada a corretagem. Em geral, os bancos cobram a taxa de acordo com a tabela Bovespa (um porcentual de acordo com o valor negociado). A regra acaba sendo mais custosa do que pagar corretagem fixa, como ocorre na maioria das corretoras independentes.

No Tesouro Direto, a economia também se comprova: sete agentes de custódia não cobram taxa de administração, dos quais apenas um é um banco médio. Os grandes bancos cobram de 0,30% a 0,50% de taxa ao ano. Confira o ranking do Tesouro Direto.

Ainda no caso das independentes, as corretoras argumentam que possuem serviços mais especializados. "Investimento é o core business destas empresas", comenta a diretora do home broker Rico.com.vc, Mônica Sacarelli. "Também muda o tipo de serviço e ferramentas relacionadas ao mercado acionário. Dificilmente, por exemplo, um banco vai oferecer uma plataforma de robô (ferramenta de alta frequência na qual é possível programar operações, entre outros negócios) para o pequeno investidor", afirma o diretor de renda variável da TOV Corretora, Carlos Fraga.

Operacionalmente, também há diferença na agilidade. "Não acredito que o profissional da corretora seja mais ou menos qualificado. O que diferencia é a agilidade muito maior do que operar no banco, em termos gerais. Nos bancos, a aprovação de novos produtos é mais complicada, a concessão de limites mais lenta, o que tende a atrasar um pouco os processos", diz o professor de finanças do Insper, Alexandre Chaia.

O processo de suitability, em que o investidor preenche formulários para definir o perfil de risco e objetivos na aplicação, é comum nas duas casas. As independentes, porém, costumam investir mais em educação financeira, no intuito de formar investidores e fidelizá-los.

Comparação de produtos

Mônica acredita que, quando o investidor entende mais de finanças, acaba migrando para a corretora. "Nos bancos há o problema das metas do gerente. Ele vai te vender um CDB ao invés do Tesouro Direto, um fundo de ações com taxa de administração ao invés da compra direta de ações", compara.

Além disso, as corretoras têm mais produtos na prateleira, o que permite uma comparação maior. "No mercado há 600 fundos DI. Um banco vai oferecer no máximo seis", afirma Benchimol. Atualmente o grupo possui parcerias com bancos e gestoras independentes para distribuir seus fundos. Também é possível comprar títulos privados, como CDBs. "Em uma plataforma aberta você consegue comparar produtos, comparar gestores", diz.

Há quem veja essa estratégia com ceticismo. Além da tendência cultural do brasileiro de gostar de conhecer o local, o gerente, ir até o banco para conversar sobre dinheiro, uma fonte afirma que essa competição com os bancos na distribuição dará certo até o momento em que os bancos não estiverem tão interessados no mercado do pequeno varejo, de clientes com carteira entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão.

Alguns bancos, porém, já se movimentam. "Existe um preconeceito contra corretoras de bancos e não gostamos de ser incluídos no mesmo grupo. Desde 2007, trabalhamos no modelo de corretora independente, com corretagem fixa, plataformas de gráficos, operações como venda a descoberto, isenção de taxa de custódia e atendimento personalizado na mesa de operações para clientes a partir de R$ 100 mil", afirma o gerente do home broker do HSBC, Alessandro Mavignier. A explicação para o foco na pessoa física é simples: "Não preciso oferecer um serviço ruim, pouco sofisticado, e cobrar muito só porque tenho a facilidade de ter o investidor na minha base de clientes", resume.

Comodidade

O fato é que, apesar do custo mais alto, bancos atraem investidores pela comodidade. "O débito e crédito ocorrem em conta corrente e o home broker fica no ambiente do Internet Banking. Ou seja, dentro do mesmo portal, a pessoa consegue realizar todas as operações", diz o superintendente da Bradesco Corretora, Wlademir Bidoy Mendonça. Na independente, é preciso transferir o dinheiro para a conta da corretora, esperar o crédito e só então aplicar.

No cadastro, o processo também é facilitado, pois o cliente já é correntista da instituição. Nas independentes é preciso preencher formulários, enviar documentos e esperar a aprovação do cadastro. "As corretoras sofrem muito. Na TOV eu tenho que atualizar os cadastros a cada dois anos. Na minha conta corrente que tenho desde criança nunca me pediram uma atualização", diz Fraga, da TOV.

Os bancos ainda têm desenvolvido facilidades. No Itaú, além do cadastro ser 100% eletrônico, desde 2010 o cliente tem o serviço de compra programada. É possível estabelecer uma quantia que será debitada da conta corrente todo mês e aplicada em determinado ativo.

"Queremos incentivar a estratégia de investimento de longo prazo. Ainda este ano lançaremos ferramentas para que mais clientes apliquem pequenos valores em ações alinhados com as recomendações da corretora do banco, compras programadas com corretagem mais baixa", diz Mavignier, do HSBC.

Para especialistas, além da comodidade, o serviço de investimento via bancos é utilizado para ampliar o relacionamento entre cliente e instituição. "É comum o banco oferecer linhas de empréstimo mais baratas e sem custos", comenta o professor da Fipecafi, Mário Amigo.

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