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Fabio Motta/Estadão

Crédito que antecipa 13º salário encarece, mas troca de dívida deve garantir demanda 

Banco do Brasil, Bradesco e Santander já abriram suas linhas específicas para antecipação do 13º salário; em geral, os bancos financiam até 80% do pagamento

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Aline Bronzati,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 14h44

SÃO PAULO - O crédito que antecipa o 13º salário está mais caro, mas os bancos esperam demanda que sustente expansão de dois dígitos este ano, ainda que o apetite dos brasileiros seja menor por conta da recessão no País. A expectativa das grandes instituições, que começam a liberar essa linha para clientes que têm folha de pagamento com o banco, é que o desempenho seja garantido pela possibilidade de usar esses recursos para quitar dívidas com juros maiores e ainda fazer frente às despesas de início de ano.

Banco do Brasil, Bradesco e Santander já abriram suas linhas específicas para antecipação do 13º salário. O Itaú Unibanco informou que ainda não deu início à concessão de recursos com essa modalidade de crédito neste ano. Em geral, os bancos financiam até 80% do pagamento e os juros, ainda mais altos este ano por conta do aumento da Selic, hoje em 14,25%, variam em cada instituição e dependem do tempo de relacionamento do cliente com o banco. São, porém, menores que outras linhas de crédito, uma vez que contam com a garantia do salário e, consequentemente, baixa inadimplência.

O BB espera liberar R$ 2,6 bilhões em crédito que antecipa o 13º salário neste ano, montante 10% maior que o liberado em 2015, quando o banco concedeu R$ 2,3 bilhões em novos empréstimos. No seu radar estão, principalmente, servidores federais e estaduais e aposentados do INSS. Juntos, representam 85% dos tomadores dessa linha. "Mais de cem mil clientes anteciparam seu 13º no ano passado com o banco e liquidaram linhas mais caras, como cheque especial e o rotativo do cartão de crédito", diz Edmar Casalatina, diretor de empréstimos e financiamentos do BB, lembrando que essa linha não sensibiliza o limite de crédito do cliente.

De acordo com ele, o crescimento neste ano deve ser um pouco mais tímido, refletindo a menor demanda por crédito por parte da população. Em 2015, a linha que antecipa o 13º do BB cresceu 14%, já menor que a expansão vista no exercício anterior, de 16%. As taxas de juros iniciam em 3,4% ao mês, contra 3,12% em janeiro do ano passado.

No Bradesco, a expectativa é, ao menos, repetir o crescimento do ano passado. O banco liberou R$ 190 milhões em crédito que antecipa o 13º salário de clientes que têm folha de pagamento com a instituição, montante 32% maior que o de 2014. Em contratos, foram 165 mil, elevação de 20%, na mesma base de comparação. O banco exige vínculo empregatício de, no mínimo, seis meses. Os juros estão entre 0,20 ponto porcentual e 0,30 p.p. mais altos este ano por conta da elevação da Selic.

"É uma linha importante que dá condição do cliente fazer frente aos pagamentos e dívidas do primeiro trimestre do ano, quando o orçamento fica mais apertado por conta de IPTU, IPVA, material escolar. Há uma concentração grande de vencimentos", explica João Carlos Gomes da Silva, diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. 

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