Sergio Zacchi | DIV
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‘Educação financeira ainda é um tema chato para o brasileiro’

Falta de conhecimento faz pessoas caírem em armadilhas e investirem de forma inadequada, diz executivo da Cetip

Entrevista com

Fábio Zenaro

Malena Oliveira, Impresso

20 Março 2017 | 05h00

Com a febre dos investimentos nas redes sociais, as promessas de ganho fácil atraem muitos que não têm conhecimento sobre o mercado financeiro e que acabam perdendo dinheiro com aplicações que não são adequadas a seu perfil.

Para Fábio Zenaro, superintendente de produtos da depositária de títulos Cetip, esses canais são importante fonte de informação, mas o conhecimento elementar deveria vir da família ou da educação básica, de forma a evitar armadilhas. Confira os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

Qual é o papel dos canais, grupos e páginas que tratam de investimentos na internet?

O brasileiro ainda é deseducado financeiramente. Seja na escola, seja em casa. Isso é algo que deveria existir desde cedo. É raro ver famílias que discutam esse tema. Há pessoas que odeiam discutir investimentos, até por uma questão cultural. As redes sociais facilitam, mas há o trigo e o joio. É o mesmo cuidado que se deve ter com outros assuntos na internet. As redes sociais podem ajudar o ensino formal a abordar esse assunto. Se nós tivéssemos uma educação financeira melhor, não cairíamos em promessas do tipo “multiplique o seu dinheiro x vezes”, “venha descobrir o segredo”. Se tivéssemos uma educação financeira melhor, isso seria evitado.

De que maneira se pode capturar a atenção desse público?

Tenho visto canais com uma linguagem interessante. Para falar com o jovem, não é mais possível fazer como antigamente. O tema [educação financeira] é chato. Para o brasileiro, é mais chato ainda. Então, se você não tiver uma ferramenta, um jeito interessante de fazer, você não consegue, a não ser que as pessoas já se interessem pelo assunto. Isso também mostra um pouco por que há muitos que ainda acreditam que os melhores investimentos são poupança e imóveis – isso ainda está na memória do brasileiro – ou por que muitos ainda ficam endividados no rotativo do cartão e no cheque especial. As pessoas não param para fazer contas.

Falta uma atenção maior do regulador para a internet?

Esse é um papel da sociedade como um todo. Não só de órgãos ligados ao governo, mas também de bancos, das escolas, tem de ser algo maior. Poderia existir uma disciplina sobre educação financeira no Ensino Médio, por exemplo.

Que tipo de produto financeiro deve continuar atraindo o investidor pessoa física este ano?

Apesar da trajetória de queda prevista para a taxa básica de juros, a Selic, o juro real segue alto. Neste momento, a renda fixa ainda está muito atrativa. Pelo menos ao longo deste primeiro semestre esse cenário não muda tanto. Mas com inflação e o juro caindo, a tendência é de que o juro real diminua. É interessante olhar em renda fixa os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) e produtos isentos (como as LCIs, LCAs e debêntures de infraestrutura). Além disso, há os títulos corporativos, como os CRIs e os CRAs, que também devem ganhar mais fôlego este ano.

A renda variável será uma alternativa?

Em um cenário mais claro, mais positivo para o Brasil, com a Selic mais baixa e a aprovação das reformas propostas pelo governo, o investidor pode começar a olhar mais para a renda variável, mas com muito cuidado por causa da volatilidade. Oportunidades sempre existem, mas não se vê grandes movimentos até que o horizonte esteja mais positivo.

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