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Estoque de CDBs recua e papéis perdem espaço para outros títulos isentos de IR

Yolanda Fordelone - O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 03h 00

Segundo a Cetip, estoque de CDBs caiu 10,2% em um ano; papéis ainda são interessantes para quem quer liquidez imediata ou tem pouco dinheiro

Queridinho dos brasileiros entre as aplicações de renda fixa, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) está perdendo espaço para outros títulos. Entre julho de 2013 e o mesmo mês neste ano, o estoque de CDBs caiu 10,21%, segundo dados da Cetip.

Enquanto isso, papéis de renda fixa com isenção de Imposto de Renda – como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) – atraíram mais investidores. Em um ano, os estoques dos títulos subiram 55% e 26%, respectivamente.

“A isenção fiscal das pessoas físicas em LCIs e LCAs é atraente tanto para o banco como para quem aplica”, diz o diretor de gestão de recursos da corretora Ativa, Arnaldo Curvello. Os bancos ganham mais um chamariz para trazer mais investidores para os seus papéis e quem aplica, uma rentabilidade maior, pois não paga taxa de administração, como nos fundos, nem IR, como nos CDBs. No resgate da renda fixa convencional, é cobrado Imposto de Renda conforme o tempo da aplicação, começando em 22,50% para períodos inferiores a seis meses e terminando em 15% quando o prazo ultrapassa dois anos. 

O ganho da isenção fiscal não é repassado integralmente ao investidor. Tanto em CDBs como nas letras, o retorno se dá sobre um porcentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa parecida ao juro básico Selic. Se um CDB rende 90% do CDI, por exemplo, no investimento nas letras os bancos diminuem a porcentagem para 80% do CDI para levar parte do ganho fiscal. 

Ainda que haja esse desconto, parte do mercado fala que, na maioria das vezes, o investidor consegue negociar boas taxas. “A isenção de IR para a pessoa física torna a LCI e a LCA investimentos mais rentáveis do que o CDB”, afirma o superintendente nacional de estratégia pessoa física da Caixa Econômica Federal, Ademir Losekann. “A rentabilidade já foi menor, mas hoje em dia o investidor já consegue algo como 85% do CDI nos grandes bancos”, diz Curvello. Antes de investir, a sugestão é comparar o ganho que o investidor teria no CDB, mesmo após o pagamento do imposto, e o que receberá nos demais títulos isentos de IR.

Por enquanto, o estoque de CDBs ainda é o maior do mercado, com R$ 553,5 bilhões aplicados. No entanto, se somados os estoques dos demais títulos – LCI, LCA, Letra Financeira (LF), Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE) e Certificado de Operações Estruturadas (COE) –, dados da Cetip mostram que a diferença anda diminuindo. O estoque de tais papéis soma R$ 510,6 bilhões, uma diferença de R$ 43 bilhões para os CDBs. A quantia parece alta, mas em julho de 2013 a diferença era de R$ 197 bilhões.

Vale lembrar que o COE, voltado para grandes investidores, foi lançado neste ano e mais títulos estão por chegar no mercado. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a criação de um papel atrelado ao crédito imobiliário. Os detalhes, como aplicação inicial, não estão definidos, mas o que se sabe é que as Letras Imobiliárias Garantidas terão isenção de IR e mais garantias do que os papéis tradicionais, cobertos somente pelo FGC.

Risco. Apesar de o dinheiro das LCIs e LCAs ser usado no crédito imobiliário e do agronegócio, para o investidor o risco é do banco. Mesmo que o tomador de crédito não pague o empréstimo, a instituição tem de honrar o compromisso com o aplicador. O risco do CDB também funciona assim, mas o crédito é livre, ou seja, o banco utiliza o dinheiro para empréstimos em qualquer modalidade.

Contribuiu para a procura maior por LCA o fato de desde a metade de 2013 o título ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em até R$ 250 mil. Antes, somente CDBs e LCIs eram protegidos pelo fundo. Isso significa que, no caso de falência do banco, o FGC ressarce o investidor até esse valor. “O avanço dos estoques dos demais títulos mostra que o investidor se tornou mais maduro, está entendendo os riscos e diversificando suas aplicações”, diz o gerente executivo de Relações e Projetos da Cetip, Ricardo Magalhães.

Além da isenção de IR, outras diferenças entre CDBs e as letras ocorrem na liquidez e na aplicação mínima. Nas LCIs, o investidor deve aplicar por pelo menos 60 dias. Nas LCAs, o prazo varia caso a caso. Nos CDBs, a liquidez é diária, mesmo nos títulos escalonados, nos quais a rentabilidade aumenta com o tempo. “Os CDBs são interessantes para clientes que precisam de uma liquidez imediata”, afirma Losekann, da Caixa.

Em relação à quantia mínima para aplicar, os CDBs continuam sendo o instrumento mais acessível. Na Caixa, com R$ 200 é possível investir em um certificado. Já em LCIs é preciso ter pelo menos R$ 30 mil e em LCAs, R$ 5 milhões. No Banco do Brasil, que lidera o mercado de crédito ao agronegócio, a aplicação mínima em LCAs é de R$ 30 mil e em LCIs, de R$ 1 mil. Por isso, especialistas afirmam que para pequenos investidores, os CDBs seguem sendo atrativos atualmente.

Diversificação. A queda do interesse por CDBs é explicada não só pela isenção de IR nos demais títulos, como também pelo fato de os próprios bancos incentivarem outros papéis. “É uma maneira de os bancos diversificarem a fonte de captação de recursos em diversos ativos, com prazos diferentes de vencimento”, diz Magalhães, da Cetip.

O movimento de diversificação explica, por exemplo, o crescimento do estoque de Letras Financeiras (LFs) em 38,7% entre julho do ano passado e o mesmo mês em 2014. As LFs têm prazo mínimo de 24 meses e aplicação inicial de R$ 300 mil. “São compradas em geral por fundos de renda fixa. São interessantes em relação aos CDBs porque possuem taxas maiores e custos menores de emissão no banco”, diz Curvello.

Depois dos CDBs, os maiores estoques dentro da renda fixa são de LFs (soma de R$ 325,5 bilhões) e LCIs (R$ 123,5 bilhões).

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