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Mercado ainda tem 39 fundos com taxa acima de 2%

Bancos reduziram taxas de administração de alguns produtos e investidor deve ficar mais atento para não pagar caro

21 de maio de 2012 | 10h 07
Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - Aplicar em fundos de renda fixa, referenciados DI e curto prazo ainda pode ser caro para o investidor pessoa física se não houver um trabalho de pesquisa. Mesmo após o movimento da indústria de reduzir as taxas de administração, de 89 fundos dessas categorias oferecidos pelos seis maiores bancos do País, 39 permanecem com taxas de 2% ao ano ou mais, segundo um levantamento no site da Anbima. O valor é considerado alto em momentos de juro em baixa. Somente um fundo não perde para o índice CDI em 2012, referência nesse tipo de aplicação.

"Investimos em acessibilidade ao invés de somente na redução de taxas", diz o presidente da BB DTVM, Carlos Massaru Takahashi, empresa gestora dos fundos do Banco do Brasil. O executivo explica que o valor de aplicação inicial de alguns fundos foi diminuído. Assim, o pequeno investidor que antes só tinha acesso a fundos com taxas de administração mais altas agora tem mais opções na hora de escolher.

O banco ainda tem 12 fundos com taxa acima de 2%, mas Takahashi diz, por exemplo, que a quantia necessária para aplicar no BB Referenciado DI LP 50 mil e no BB Renda Fixa LP 50 mil caiu de R$ 50 mil para R$ 1. A taxa nesses fundos é de 1%, o que, na prática, tornou fundos antes mais caros acessíveis. "Os fundos com taxa acima de 2% ganham da poupança se for acionada a regra de rentabilidade de 70% da Selic. Gradualmente, iremos realinhando os preços", afirma.

Entre os 52 fundos de renda fixa, 18 estão com taxa de pelo menos 2%, dos quais 17 perdem do CDI, que subiu 3,48% em 2012, até o dia 15 de maio. Na categoria Referenciados DI, são 27 fundos na indústria, dos quais 15 têm taxas de administração altas e perdem do CDI. Entre os de curto prazo, são dez fundos no mercado e seis com taxa de pelo menos 2%. Todos perdem para o CDI.

O Itaú Unibanco afirma que a taxa de seus fundos abertos varia entre 0,5% a.a. e 2,5% a.a., sendo na média 1,15% a.a.. "Usamos a política de segmentação entre varejo, personnalité e private, além de considerarmos o recurso global do investidor no banco", diz o diretor executivo de produtos de investimento, Osvaldo Nascimento. Segundo o executivo, se o fundo exige uma quantia maior de aplicação inicial, mas o investidor possui recursos em outros produtos dos bancos, ele acaba tendo acesso a fundos com taxas mais baixas. Ele também pondera que alguns fundos que aparecem na lista da Anbima estão fechados para captação, em processo de desinvestimento.

"Estamos nos preocupando com a ponta da linha, com os fundos que estão recebendo investidores", afirma. Sobre os fundos que permanecem com taxas acima de 2%, Nascimento diz que eles atendem principalmente a pessoas com baixos recursos, que precisam de liquidez imediata caso tenham emergências ao longo do mês. "Na poupança não teriam rendimento nenhum, porque a caderneta só rende a cada aniversário de 30 dias."

A Caixa Econômica Federal diz ter baixado recentemente a taxa de diversos fundos. Banco do Brasil, Bradesco e Santander seguiram o movimento e fizeram o mesmo, mas algumas reduções ainda deixaram a taxa cara. A taxa do Extra Plus DI, do Santander, caiu de 3% para 2% e no BB Renda Fixa 50, de 3,5% para 2,6%. Por isso, a importância de o investidor ficar atento a todos os produtos disponíveis no mercado. Sobre o fundo Caixa FIC Liquidez Curto Prazo, com taxa de 3,1%, o banco afirma que a aplicação está em linha com a concorrência na mesma categoria.

Rentabilidade

O mercado reclama das regras de tributação dos fundos e diz que o Imposto de Renda pesa sobre a rentabilidade. "Não há a mesma regra de portabilidade da previdência. Se o investidor sai de um fundo pagando a menor alíquota (de 15%) e reinveste em outro, o tempo começa a contar novamente e ele começa pagando 27,5%", compara. Segundo ele, os fundos de previdência VGBL têm crescido como uma alternativa aos tradicionais.

"O mercado já tem algumas alternativas de investimento para a pessoa física. Acho uma tendência os investidores buscarem mais produtos e também mudar o parâmetro, aplicando mais em títulos de inflação ou mesmo prefixados", afirma o gerente-executivo de Novos Negócios da Cetip, Fábio Zenaro. "Além dos CDBs, há as LCIs e LCAs, títulos de crédito em que a pessoa física não paga Imposto de Renda. Para quem entende mais do mercado e quer se arriscar mais há as debêntures", diz.





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