Ouro volta a brilhar em agosto
Metal subiu 3,58%, enquanto Bolsa de Valores de São Paulo voltou à lanterna dos investimentos, com queda de 3,51%
SÃO PAULO - Com a volta do pessimismo em agosto, principalmente devido às incertezas sobre o crescimento dos Estados Unidos e Europa, o ranking de investimentos mais uma vez se inverteu. O ouro – que havia sido a lanterninha das aplicações no mês anterior – foi o investimento mais rentável, com alta de 3,58% em agosto. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuou 3,51%, tendo o pior retorno no mês.
A maioria dos especialistas lembra que o ouro não tem liquidez e não é indicado como aplicação. Mas parte do mercado fala que o metal pode ser utilizado como reserva de valor. "Similar aos fundos cambiais, continua uma opção conservadora para diversificação", diz o administrador de carteiras, Fábio Colombo.
No caso das bolsas, pesou os temores de que a economia dos EUA cresça abaixo das expectativas. As bolsas ao redor do mundo fecharam com queda entre 0% e 10%. Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, explica que o principal fator que empurrou o mercado de capitais para baixo foram os dados do desemprego dos EUA, divulgados no começo do mês. "Em julho, as incertezas sobre a economia europeia sumiram um pouco. Mas, nesse mês, surgiram dúvidas sobre a economia norte-americana", detalha.
No caso do Brasil, a ação mais líquida da Bolsa – a Petrobrás PN – puxou ainda mais a queda. Este papel é o segundo de maior participação no índice Bovespa (9,77%). A proximidade da data da capitalização da empresa e as incertezas que ainda rondam esta transação fizeram as ações despencar 5,75%. As ações da Vale tiveram queda bem próxima à Bovespa. As PNA recuaram 2,91% em agosto.
Caso a capitalização da Petrobrás realmente ocorra em setembro, como previsto, o mercado acredita numa tendência de reversão. Para Velho, se a capitalização sair, em outubro o desempenho da bolsa tende a se reverter. "O mercado pressionou os papéis da Petrobrás, todo mundo vendeu, para na oferta comprar mais barato", diz o analista técnico da corretora Novisvest Didi Aguiar, ao lembrar que os papéis da Petrobrás já caíram mais de 27% em 2010. Didi acredita que a Bolsa deve atingir os 72 mil pontos ainda este ano.
Após esta queda, a recomendação de Colombo é que o investidor continue a fazer compras graduais de ações, para adquirir os papéis em cotações baixas e altas, fazendo um preço-médio.
Aplicações conservadoras
Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá a nova taxa básica de juros (Selic), parâmetro para a rentabilidade da renda fixa e DI, a notícia não é animadora para as aplicações conservadoras. Somente os fundos de renda fixa, que aplicam boa parte da carteira em títulos prefixados (juro definido no momento da compra) superaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M). No período, estes fundos renderam 0,85% contra a alta de 0,77% do IGP-M.
O restante das aplicações conservadoras perdeu da inflação. O pior investimento conservador foi o Certificado de Depósito Bancário (CDB) para pequenas quantias, de até R$ 5 mil. Estes CDBs renderam 0,52% no período, perdendo até para a tradicional caderneta de poupança, que subiu 0,62%.
"Em setembro, o rendimento bruto dos fundos DI, que acompanham a Selic, será na faixa de 0,60% a 0,90%, dependendo da taxa de administração do fundo e da ‘marcação a mercado’", projeta Colombo. A poupança ainda é opção para investidores que não têm acesso a fundos DI ou renda fixa, com taxas de administração inferiores a faixa de 2% a 2,5% ao ano (quando o Imposto de Renda é de 22,5%) ou de 2,5% a 3,0% ao ano (movimentação acima de dois anos e alíquota de IR de 15%).
As moedas, mais uma vez, tiveram um desempenho ruim. O dólar se manteve praticamente estável, ao subir 0,06%, enquanto o euro recuou 2,84%.
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