Prefixados já embutem alta da Selic em janeiro
Decisão do Copom tem pouco impacto sobre os investimentos, que já reagem de olho no próximo encontro
SÃO PAULO - A manutenção da taxa básica de juros (Selic) na última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) em 10,75% ao ano tem pouco impacto sobre os investimentos, que, segundo especialistas, já estão sendo influenciados pela expectativa do próximo encontro, em 18 e 19 de janeiro, quando efetivamente pode haver uma mudança da taxa.
"A inflação dos últimos 15, 20 dias é sazonal por conta do Natal e era natural que o Banco Central não visse isso como uma tendência para subir o juro neste momento", diz o professor da Brazilian Business School, Ricardo Torres. "Os números da inflação são altos e o Banco Central já deixou claro que vai perseguir a sua meta em 2011", diz o diretor da Título Corretora, Márcio Martins Cardoso.
A inflação de outubro e do começo de novembro e a expectativa de alta do juro na próxima reunião, diz Torres, já haviam sido embutidas nos juros pagos pelos títulos públicos. Os papéis prefixados LTN negociados no Tesouro Direto com vencimento em julho de 2011, por exemplo, tiveram o juro aumentado em 0,59 ponto porcentual nos últimos 30 dias.
Os juros pagos pelos prefixados, dizem os especialistas, estão interessantes neste momento, principalmente para os investidores que acreditam que o ciclo de alta do juro não será prolongado. Nos prefixados o juro chega a 12,40% ao ano. Nos títulos de inflação, a rentabilidade está próxima a 6% ao ano mais variação do IPCA.
Mas, parte dos especialistas, acredita que o investidor pode esperar mais um pouco para comprar os títulos prefixados. "Após a alta da Selic, o juro do prefixado estará ainda mais alto, porque sempre embute um prêmio", diz Cardoso.
Entre os fundos conservadores, que compram os títulos públicos, o impacto também será pequeno. A rentabilidade daqueles que a carteira possui títulos pós-fixados tende a subir nos próximos meses por conta da alta que o juro pode ter no começo do ano. Os prefixados devem aproveitar a alta do juro que os papéis tiveram e do aumento da taxa nos títulos prefixados que ocorreu no mês passado. O único ressalve ao investidor é que ele fique atento à taxa de administração paga no fundo, que pode ser elevada para pequenas quantias.
Bolsa de Valores
O movimento do mercado acionário devido às ações do Banco Central se deve mais ao anúncio do aumento dos depósitos compulsórios do que à reunião do Copom, diz o diretor de operações da iCash Investimentos, Salomão Santos.
Segundo ele, o anúncio feito na semana passada surpreendeu o mercado que começou a vender ações de algumas empresas que podem ser afetadas pelas medidas de restrição ao crédito. "As ações da Localiza por exemplo caíram bastante nos últimos dias porque a empresa vende automóveis seminovos", explica. "A bolsa está meio de lado. Não vai ter grandes impactos do Copom."
As quedas da Bolsa em alguns pregões nos últimos dias são vistas como um movimento natural. "No fim do ano os investidores fazem um ajuste na carteira", diz Cardoso, da Título.
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