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Queda do juro exige revisão de carteira de investimentos

Escolher aplicações de renda fixa com baixa taxa de administração e custos é a primeira recomendação para a rentabilidade não perder para inflação

19 de abril de 2012 | 7h 33
Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - O corte do juro básico da economia (Selic) para 9% ao ano na noite desta quarta-feira acende uma luz amarela para os investidores: as carteiras devem ser revisadas já que nos próximos meses a tendência é de queda de rentabilidade de aplicações de renda fixa. Para a maior parte do mercado, o juro deve seguir em 9% até o fim de 2012, conforme mostrou no começo da semana a pesquisa Focus. Mas há casas que já trabalham com mais cortes da Selic.

"O cenário de queda do juro é benigno para as ações, sem dúvida", comenta o diretor da Rico.com.br (home broker da Octo Investimentos), Ricardo da Costa de Moraes Filho. "No início do ano, a expectativa dos investidores era do retorno da Bolsa ficar muito próximo ao da renda fixa, só que o juro agora caiu mais do que o esperado", lembra.

Entre março de 2011 e março deste ano, saíram do mercado acionário pouco mais de 28 mil investidores. "Se o ambiente não está confortável para investir, a bolsa está em fase de baixa e a perspectiva negativa, as pessoas ficam com receio. Mas em tese o juro menor seria um fator que ajudaria as pessoas a ir para a Bolsa", diz o administrador de carteiras, Fábio Colombo. "Com o passar do tempo, perceberão que o rendimento da renda fixa está igual ou ligeiramente acima da inflação. Os investidores vão preferir ou consumir a renda ou se quiserem ter um ganho maior terão de ir para a renda variável."

Diante deste cenário, os especialistas fazem algumas indicações. Além de ações boas pagadoras de dividendos e de empresas voltadas ao mercado interno, Moraes Filho sugere títulos pré-fixados de longo prazo, com vencimento de 2017 em diante. Segundo ele, esses papeis ainda levam em consideração uma inflação de 6%, taxa que deve fechar o ano em um patamar menor. A rentabilidade dos mais curtos diminuiu nos últimos meses, pois já precificou a queda do juro. A carteira dos mais conservadores pode ter títulos ou fundos que acompanham a variação da inflação.

Já Colombo pauta sua sugestão levando em consideração até uma fatia investida em imóveis. Se o investidor não gostar desse tipo de aplicação, o porcentual deve ser direcionado à renda fixa obedecendo a divisão de 20% em títulos de inflação e 80% em pró-fixados. "O importante é ficar atento aos custos da aplicação. Se o custo com taxa de administração ou custódia for acima de 1%, o investidor está empatando suas aplicações com a inflação ou até perdendo", diz Colombo. Para taxas abaixo de 1%, o retorno está em torno de 1% a 1,5% acima da inflação.

Os ressalves para essa divisão de carteiras é que os imóveis sejam pequenos e tenham boa localização, para terem mais liquidez na hora da venda. Além disso, nas carteiras moderada e agressiva o porcentual indicado de ações é o teto. "O investidor tem de adotar uma estratégia de comprar na baixa e vender na alta, sempre balanceando", diz o administrador.

Dentro da renda fixa, Colombo não indica nenhum tipo de prefixado por considerar que todos já precificaram a queda do juro. Vale lembrar que se o investidor não quiser se preocupar em ficar revisando a carteira de renda fixa para balanceá-la, a opção é procurar um fundo de renda fixa que mescle diversos tipos de títulos, tomando o cuidado de pagar até 1% de taxa de administração.





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