Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Selic em queda aumenta o apetite dos fundos pelo risco

Mercado de juros mira proximidade do fim do aperto monetário e a existência de prêmio nas taxas mais curtas

Ana Carolina Neira e Fernanda Guimarães , O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2017 | 05h00

A maré parece virar no mercado e a aposta em juros perde a atração frente às outras opções, como câmbio e ações. Ao menos para os investidores profissionais, especialistas que hoje gerenciam as disputadas carteiras de fundos de multimercado. 

Fundo multimercado é um tipo de aplicação híbrida, que mistura renda fixa, ações ou câmbio, mexendo nessa composição com o objetivo de tirar o melhor do momento econômico com aquilo que o mercado oferece. E graças ao ciclo de redução da Selic, a taxa básica da economia, e ao bom momento da Bolsa, que tem renovado recordes, boa parte desses investimentos aumentou a exposição ao risco.

Os fundos operam neste momento com foco no mercado de juros, de olho na proximidade do fim do cenário de aperto monetário e na existência de prêmio nas taxas mais curtas, o que tem permitido boa rentabilidade. 

Além disso, ganham espaço nas carteiras as ações de empresas brasileiras que tem ajudado na alta do Ibovespa, o índice com as principais empresas em negociação na B3.

“Nossa aposta base continua sendo os juros. Abriu um prêmio interessante na taxa média de 2019”, afirma o gestor da Rio Bravo Investimentos, Eduardo Levy. O especialista diz ainda que o fundo acredita na valorização do dólar da carteira para o curto prazo, ou seja, investindo no mercado de dólar futuro para no máximo três meses.

Nos fundos multimercados da XP, a aposta em queda de juros segue balizando a carteira dos gestores. “A ata do Copom deixou claro que a Selic de 7% é o teto”, destaca o gestor macro da corretora, Bruno Marques. Segundo ele, o foco do fundo da casa está nos ativos locais, que têm mostrado boas oportunidades. “Para os juros mais curtos, de um a dois anos, ainda há prêmio para o investidor”, afirma. 

Bruno Marques projeta Selic entre 6,5% e 6,75% já no início de 2018. Outra aposta é em bolsa, com o principal índice teórico da B3 acima dos 75 mil pontos e com a expectativa de que ainda há espaço para ganhos. 

“Estamos bem comprados. A bolsa no Brasil perdeu aderência com o cenário macro. Essa é uma das nossas apostas principais”, afirma o gestor da XP.

A expectativa dos especialistas é de relativa calmaria na política, inflação acomodada e juros em queda, o que já começa a ser refletido nos resultados das empresas por conta do menor custo de capital. “O cenário externo ainda é favorável por causa das taxas de juros baixas globalmente”, afirma o gestor da Claritas Investimentos, Damont Carvalho.

No Bram, gestora do Bradesco, a busca dos economistas tem sido na diversificação do portfólio, com um foco especial ao mercado de ações, que tem provado um “bom custo retorno”, ainda mais em um momento de baixos juros reais e expectativa de inflação abaixo de 4% em 2017, explica o diretor de investimento Ricardo Almeida.

Mas para o professor de Finanças da Fecap, Joelson Sampaio, uma coisa são os especialistas, outra bem diferente é o investidor pessoal. Ele deve ter cuidado com os riscos assumidos e também com a taxa de administração dos investimentos. “Comparando esses encargos e medindo o risco, ainda será possível surfar bastante essa onda promovida pela queda da Selic até 2018.”

Expansão. O ano de 2017 tem sido importante para os fundos multimercados. A captação no acumulado do ano até agosto foi de R$ 81,78 bilhões. Nos últimos 12 meses, atingiu R$ 94,90 bilhões. “As quedas de juros têm tornado as aplicações em renda fixa menos atrativas, o que está impulsionando os investidores a buscarem, ainda que em ritmo lento, outras alternativas que envolvam mais risco”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos Ambrósio.

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