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Economia

Tesouro Direto

Vendas do Tesouro Direto quase triplicam em 2015 em meio a inflação e juros altos

As vendas brutas fecharam 2015 com um valor total de R$ 14,5 bilhões, um aumento de 190,4% em relação ao ano anterior

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O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2016 | 14h01

BRASÍLIA - Em ano de forte retirada de recursos da poupança, diante da alta da inflação e dos juros, o Tesouro Direto registrou em 2015 grande expansão e quebrou uma série de recordes. De acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional, as vendas brutas fecharam 2015 com um valor total de R$ 14,5 bilhões, um aumento de 190,4% em relação ao ano anterior.

De acordo com o Tesouro, o crescimento também foi motivado por uma série de melhorias no programa, como a criação da recompra diária e do orientador financeiro, uma espécie de gerente virtual. O número de operações de venda de títulos cresceu 169,6%, saltando de 387 mil em 2014 para 1 milhão no ano passado. 

O número total de investidores cadastrados em dezembro atingiu 624.358, o que representa aumento de 37,5% nos últimos doze meses. Para o Tesouro, a expansão do programa é uma tradução da confiança do investidor. Em 2015, pela primeira vez, o número de investidores cadastrados no Tesouro superou a quantidade de investidores na Bolsa.

No ano, o estoque do Tesouro Direto atingiu R$ 25 bilhões, um incremento de 63,7%. "Se o Programa Tesouro Direto fosse um fundo gestor de ativos (Asset Management), estaria entre os cinco maiores do Brasil", analisa o Tesouro. 

Segundo o órgão, a execução de ações relacionadas à melhoria do programa continuará ao longo dos próximos anos. "Para 2016 e 2017 já estão previstos os lançamentos da segunda e terceira onda de melhorias que objetivam tornar o Tesouro Direto ainda mais acessível e atraente aos investidores". 

Atratividade. Além das melhorias na estratégia de comunicação do Tesouro, o aumento da taxa básica de juros (Selic) tornou esse tipo de investimento ainda mais atrativo. A Selic estava em 11,75% no fim de 2014 e terminou 2015 em 14,25%. Além disso, títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA) protegem o patrimônio do investidor da alta dos preços - o que a poupança, por exemplo, deixou de fazer.

Pela primeira vez desde 2002, o rendimento da caderneta de poupança perdeu para a inflação, que fechou 2015 com alta de 10,67%. Esse cenário de baixa rentabilidade, aliado ao aumento do desemprego e à queda da renda, fez com que o volume de saques da poupança superasse o de aplicações em R$ 53,568 bilhões em 2015, a maior saída líquida de recursos em 20 anos.

Ainda assim, a poupança continua sendo o tipo de investimento mais utilizado pelos brasileiros: segundo o Banco Central, a caderneta tem 137,4 milhões de clientes. (Com informações de Bernardo Caram)

 

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