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Leilão da cessão onerosa: Petrobrás fica com duas áreas do pré-sal

Resultado do megaleilão do pré-sal fica abaixo do esperado, com bônus total de R$ 69,98 bilhões; dois campos não recebem ofertas e ações da Petrobrás oscilam

O governo realizou nesta quarta-feira, 6, o leilão de quatro áreas de pré-sal da Bacia de Santos - Búzios, Itapu, Atapu e Sépia.

O megaleilão funcionaria como um indicador das empresas que vieram para ficar no Brasil. O desempenho, porém, foi abaixo do esperado. O bônus total ficou em R$ 69,98 bilhões, sustentados principalmente pelas ofertas da Petrobrás. 


Em meio ao resultado, as ações da Petrobrás registram queda. Às 11h49, as ações ordinárias recuavam 0,35%, a R$ 32,37. Já os papéis preferenciais registravam queda de 0,34%, a R$ 29,55. O resultado ruim acarretou ainda a queda do Ibovespa, que recuava 0,45% a 108233 pontos. 


Enquanto os campos de Atapu (leiloado por R$ 1,76 bilhão) e Sépia não receberam ofertas, o campo de Búzios  -o mais bem-avaliado- foi leiloado pela Petrobrás em parceria com empresas chinesas. O bloco mais caro, Búzios, R$ 68,14 bilhões, em bônus de assinatura, um valor previamente fixado e cobrado das vencedoras. O total das áreas, de R$ 106,5 bilhões, é quase o dobro de todos os lances pagos desde a primeira rodada de leilões, em 1999. Sai vitorioso quem se comprometer a partilhar a maior parcela da produção com o governo federal. 


A expectativa de arrecadação era de R$ 106,5 bilhões somente em bônus de assinatura.

A concorrência tem uma peculiaridade: não existe a chance de os vencedores não acharem petróleo ou gás. A região já foi explorada pela Petrobrás, que confirmou a existência de um reservatório gigantesco de petróleo e gás de boa qualidade.

 

Outra característica singular é que os blocos são extensões de outros cedidos pela União à Petrobrás em 2010, num regime conhecido como cessão onerosa. Na época, a empresa foi autorizada a ficar com 5 bilhões de barris de óleo equivalente (boe, que inclui petróleo e gás). Mas à medida que avançava na delimitação da descoberta, percebeu que era muito maior do que o esperado.  

Confira transmissão da rodada de licitações. 

 

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Atualizar
  • 13h29

    06/11/2019

    Encerramos por aqui a cobertura do megaleilão do pré-sal. Acompanhe as repercussões sobre o resultado do evento em economia.estadao.com.br

  • 13h25

    06/11/2019

    RIO - O secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, considerou um sucesso o leilão do excedente da cessão onerosa, apesar do governo ter obtido apenas 66% do total do bônus de assinatura pretendido.

     

    Segundo ele, o leilão deu um saldo de R$ 23 bilhões para a União em 2019. Ele afirmou ainda que os Estados e municípios vão receber parte dos recursos, fato inédito no Brasil, o que vai ajudar o fechamento das contas deste ano.

     

    "Este ano ainda estamos no espectro negativo, mas é importante que Estados e municípios também venham juntos (com a União)", disse Waldery referindo-se ao déficit fiscal. Ele destacou que os Estados vão receber algo em torno dos R$ 5,2 bilhões, o mesmo previsto para os municípios.

     

    "Leilão permite recomposição do orçamento e descontigenciamento da máquina pública", avaliou.

     

    Segundo o executivo, com o dinheiro do leilão de hoje, o déficit orçamentário do ano será menor. Ele informou ainda, que no dia 22 de novembro o governo vai anunciar o descontigenciamento do Orçamento. (Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão) 

  • 13h22

    06/11/2019

    RIO - O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, disse que a Petrobrás esperava que houvesse maior competição no megaleilão do excedente da cessão onerosa, realizado nesta quarta-feira, 6, no Rio.

     

    A estatal foi a principal participante da concorrência, arrematando sozinha o campo de Itapu e em consórcio com companhias chinesas o campo de Búzios, área mais valiosa em disputa.

     

    “Não cabe a mim explicar isso (a falta de disputa). Esperávamos francamente que houvesse competição. Nós gostamos da competição e estamos preparados para isso”, afirmou. 

     

    Castello Branco minimizou o fato de a Petrobrás ter entrado praticamente sozinha nessas áreas, o que significará um peso maior em termos de investimentos pela companhia. Ele disse que a antecipação jogaria para frente a curva de produção da Petrobrás, que teria que abrir espaço para as outras petroleiras produzirem. Isso implicaria em perda financeira que teria que ser restituída à Petrobras depois.

     

    “Tendo 90% do consórcio minimiza esse problema”, disse em referência a Búzios.

     

    Sobre as áreas de Sépia e Atapu, que não receberam ofertas no leilão, Castello Branco disse que elas não são tão interessantes para a estatal quanto Búzios e Itapu. "Vamos investir naqueles ativos em que podemos obter o máximo de retorno para a companhia". (Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão) 

  • 13h14

    06/11/2019

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que, se não fosse o Congresso, leilão não teria ocorrido. "Fizemos grande esforço", disse. 

  • 13h11

    06/11/2019

    RIO - O desenvolvimento das duas áreas de pré-sal leiloadas nesta quarta-feira, 6, Búzios e Itapu, na Bacia de Santos, deve gerar royalties de R$ 40 bilhões a R$ 80 bilhões, segundo estimativa do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

     

    Essa arrecadação acontecerá ao longo do contrato, que tem prazo de 40 anos. Ele estimou também investimento de R$ 240 bilhões no mesmo período.

     

    "O leilão de hoje vai gerar investimento, emprego e renda, e pode contribuir para reduzir preço da energia", disse o ministro, em coletiva de imprensa.

     

    Apesar de comemorar o resultado e os efeitos para a economia brasileira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque acrescentou que o governo e o Congresso avaliam o fim do regime de partilha, válido para o pré-sal. (Fernanda Nunes, Denise Luna e Mariana Durão) 

  • 13h04

    06/11/2019

     

    RIO - O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, afirmou que o campo de Búzios, adquirido hoje pela estatal no megaleilão da cessão onerosa, exigirá um substancial volume de recursos, mas garantiu que a companhia está financeiramente preparada para arcar com esses investimentos.

    “Mesmo com esse investimento (em Búzios), a Petrobrás não acabará o ano com elevação de dívida. Não haverá um dólar de aumento de dívida”, disse, destacando a disciplina na alocação de capital como um de seus objetivos. (Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão) 

  • 13h00

    06/11/2019

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que está sendo estudado o fim do modelo de partilha do pré-sal

  • 12h59

    06/11/2019

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, classificaram o megaleilão de pré-sal de hoje como um "sucesso", embora a Petrobrás tenha ficado praticamente sem concorrência.

     

    Além da Petrobrás, apenas as chinesas CNOOC e CNDOC apresentaram propostas, com participações de 5% cada uma no consórcio liderado pela estatal.

     

    Dos R$ 106 bilhões de bônus de assinatura definido para as quatro áreas em edital, a Petrobras vai pagar quase a totalidade dos R$ 69,9 bilhões, o equivalente a 66% do total. (Fernanda Nunes, Denise Luna e Mariana Durão) 

  • 12h52

    06/11/2019

    O megaleilão do pré-sal de hoje deve gerar de R$ 40 bilhões a R$ 80 bilhões em royalties, afirmou o diretor-geral da ANP, Décio Oddone

  • 12h49

    06/11/2019

    RIO - Protagonista do megaleilão do excedente da cessão onerosa, com a aquisição dos campos de Búzios e Itapu, a Petrobrás comemorou o resultado apesar da falta de concorrência.

     

    O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, disse estar muito feliz e que a aquisição do campo de Búzios consolida a liderança global da Petrobrás na exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. "Estamos construindo o futuro da Petrobras. Uma companhia de petróleo precisa de reservas e, para isso, é fundamental o investimento em exploração. Graças a anos sem leilões de blocos de petróleo e ao desmonte que a companhia sofreu no passado, ela foi obrigada a reduzir dramaticamente seus investimentos em exploração”, disse após o leilão. 

     

    Segundo Castello Branco, Búzios é um “ativo de classe mundial”, com substanciais reservas, baixo custo de produção e baixo preço de equilíbrio (com alto retorno sobre o capital investido). A Petrobrás já produz 600 mil barris diários de óleo equivalente (boe) na área.

     

    “É um ativo em que a Petrobras é o dono natural, capaz de extrair o maior retorno possível”, afirmou. A estatal adquiriu 90% do campo de Búzios, tendo como sócias as chinesas CNOOC e CNODC, com 5% cada. (Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão) 

  • 12h32

    06/11/2019

    A avaliação do economista do banco digital ModalMais, Álvaro Bandeira, é de que o resultado do leilão da cessão onerosa foi positivo para a Petrobras. "O campo de Búzios é maravilhoso. A empresa vai ter um pequeno impacto negativo no processo de desalavancagem, mas, no geral, sairá lucrando", afirma.

    Já para o governo, o analista considera o leilão negativo. A sua percepção é de que foi transmitida uma mensagem de insegurança jurídica para o investidor estrangeiro. O mais grave, no entanto, é a frustração em arrecadação - de R$ 106 bilhões, conseguiu pouco menos de R$ 70 bilhões, sendo quase que totalmente dinheiro da Petrobras. (Paula Dias)

  • 12h31

    06/11/2019

    O governo receberá até o dia 27 de dezembro o recurso proveniente do bônus de assinatura das áreas do megaleilão da cessão onerosa, de R$ 69,96 bilhões. Apenas as áreas de Búzios e Itapu foram vendidas (sem ágio). Já Atapu e Sépia ficaram sem oferta.

    Se todos os campos fossem vendidos, o bônus teria chegado a R$ 106 bilhões.

    De acordo com o regulamento do leilão, a forma de pagamento do bônus depende do ágio na alíquota de partilha. "Em caso de ágio na alíquota inferior a 5% em relação ao porcentual mínimo, o bônus terá que ser pago integralmente até 27/12/2019", aponta a norma.

    Caso o ágio na alíquota fosse igual ou superior a 5%, o bônus poderia ser parcelado - sendo as datas a depender de cada campo. (Cristian Favaro)

  • 12h29

    06/11/2019

    O presidente da Shell Brasil, André Araujo, disse que não fazer ofertas na rodada de licitações do excedente da cessão onerosa foi uma decisão de negócio tomada com base na estratégia de disciplina de capital do grupo.

     

    O executivo afirmou que os blocos ofertados 'não passaram no corte' da Shell por se tratar de 'ofertas caras'. “Temos uma posição bastante positiva com os blocos já adquiridos e os blocos de hoje não passaram no nosso corte de aprovação", afirmou. 

     

    Apesar da falta de competição, Araujo afirmou ter considerado o leilão do excedente da cessão onerosa um sucesso. Ele não descartou a participação da Shell no leilão de outras áreas do pré-sal marcado para amanhã. (Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão) 

  • 12h23

    06/11/2019

    O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, ressaltou a posição do ministro de Minas e Energia e afirmou que o resultado do leilão "foi um sucesso porque destravou investimento".

  • 12h21

    06/11/2019

    Após caírem mais de 4%, as ações PN de Petrobras oscilam, enquanto a ON recua 0,31%, com o investidor digerindo o resultado do leilão da cessão onerosa de áreas do pré-sal. Para o analista da Guide Investimentos Luis Sales, o que pesa no papel é o fato de a petrolífera ter sido mais agressiva, levando 90% do campo de Búzios, "enquanto o mercado esperava em torno de 50% até para diminuir um pouco do risco da operação e não pesar tanto no cronograma de redução da dívida".

    Além disso, a falta de ofertas nos demais blocos - Atapu e Sépia - também pesa nos papéis da empresa porque a Petrobras já fez investimentos nesses campos e esperava receber retorno, acrescenta o analista. No entanto, ele diz que a reação negativa nas ações deverá ficar apenas no curto prazo e "no médio prazo, deve se recuperar, uma vez que a Petrobras está investindo no seu core business, o que será benéfico no longo prazo", afirmou. (Niviane Magalhães)

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