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Após provocação de deputado, Guedes fica nervoso e sessão é encerrada

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participa na tarde desta quarta-feira, 3, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

A audiência pública do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terminou em confusão e pode dificultar a batalha da articulação pela aprovação da proposta. Antes do bate-boca, os parlamentares já haviam deixado claro os pontos de maior resistência, entre eles a introdução do regime de capitalização e as mudanças no benefício assistencial para idosos miseráveis (BPC). Já o ministro foi taxativo: “Independentemente do partido, não tenho filiação partidária, é um problema que está se impondo, independente de quem estiver na Presidência”.

A sessão foi tensa, dominada pela oposição e teve de ser encerrada, com Guedes saindo escoltado, depois do bate-boca com o deputado Zeca Dirceu (PT-PR). O filho do ex-ministro José Dirceu acusou o ministro de ser “tchutchuca” com os mais privilegiados e “tigrão” com os mais pobres. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu depois da sessão. “Chamar um ministro de ‘tchutchuca’ é um absurdo”, afirmou ao Estado. “É péssimo para a Câmara. Paulo Guedes tem dialogado com respeito com o Parlamento”. Ele rebateu a afirmação de alguns parlamentares de a reforma pode ter morrido com esse desastre inicial. “Claro que não, vamos avançar”, disse.

Parlamentares da oposição chegaram duas horas antes do início da sessão para serem os primeiros a falar. Por cinco horas, no período de maior audiência da sessão, o ministro ficou exposto aos ataques. Numa clara falta de articulação, só por volta das 19h os deputados aliados começaram a aliviar a tensão e saíram ao resgate de Guedes.

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) circulou no plenário da CCJ, mas não saiu em defesa pública do ministro. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), não apareceu.

Após o bate-boca, o próprio presidente e outros integrantes do governo foram às redes sociais tentar reverter a situação dizendo que a "esquerda" que saiu prejudicada.

Capitalização. Guedes defendeu com veemência o modelo de capitalização para o Brasil com a justificativa de que o regime atual de repartição está condenado, fazendo com que os jovens desempregados financiem com desemprego as aposentadorias. “O Brasil jamais terá uma previdência como a do Chile”, disse o ministro. No regime de capitalização, o trabalhador contribui para uma conta individual, cujos recursos depois bancarão a aposentadoria. A reforma apenas abre a porta para a criação do novo regime, mas não especifica as regras, que seriam regulamentadas depois. A ideia do governo é que a capitalização substitua gradualmente o atual modelo, que é o da repartição, no qual quem contribui paga os benefícios de quem já está aposentado.

O ministro rebateu críticas de que quer beneficiar o sistema financeiro e disse que não são os bancos que vão gerir o dinheiro dos trabalhadores, mas sim entidades especializadas, nos moldes de fundos de pensão. Guedes também assegurou que ninguém vai ganhar menos que o salário mínimo e que o governo, se necessário, vai bancar os recursos para complementar a renda do aposentado do futuro.

Já no caso do BPC e da aposentadoria rural, Guedes admitiu a retirada do texto desses dois itens. Também sugeriu que o novo modelo do BPC seja opcional. Isso significa que os idosos de baixa renda poderiam escolher entre o modelo atual – receber um salário mínimo (R$ 998) aos 65 anos – ou a nova regra, que propõe um benefício de R$ 400 entre os 60 anos e 70 anos, quando a pessoa passaria a receber um salário mínimo.

O ministro fez questão de ressaltar os problemas de fraudes na aposentadoria rural. De acordo com ele, se o Congresso retirar os dois pontos, a economia cai de R$ 1,16 trilhão na próxima década para R$ 960 bilhões

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Atualizar
  • 21h42

    03/04/2019

    Encerramos por hoje nossa cobertura ao vivo da participação de Paulo Guedes em audiência na CCJ da Câmara dos Deputados. Obrigado e até a próxima.

  • 20h44

    03/04/2019

    Maria do Rosário (PT) pede que assessora de Guedes, Deniele Marques, seja retirada pela polícia legislativa. A deputada diz ter sido agredida pela assessora do ministro.

  • 20h28

    03/04/2019

    Reunião é encerrada após provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR)

  • 20h27

    03/04/2019

    Zeca Dirceu (PT-PR): "To vendo, ministro, que o senhor é tigrão com aposentados e trabalhadores, mas é Tchutchuca com quem tem privilégios"

  • 20h21

    03/04/2019

    Deputada Clarissa Garotinho (PROS-RJ) interrompe fala de colegas para cobrar respostas do ministro Pualo Guedes

  • 20h10

    03/04/2019

    "Eu acrdito que somos uma democracia vibrante. Tivemos 30 anos de social democracia. 20 anos de regime militar, 30 anos do outro lado. E agora teve um backlash, teve um empurrão de volta. 'Vocês ficaram muito tempo aí e os problemas foram se acumulando, o país não está crescendo, quase quebraram a Petrobras. Dá uma folguinha aí, vamos pensar um pouco", disse Guedes

  • 20h04

    03/04/2019

    Deputados reagem e interrompem fala de Guedes após críticas ao PT.

  • 19h57

    03/04/2019

    Enquanto isso, Senado aprova Orçamento Impositivo em primeiro turno. Neste momento, eles votam o segundo turno da PEC.

  • 19h54

    03/04/2019

    Guedes: "Sei que vocês (deputados) sabem que é necessária uma reforma."

  • 19h50

    03/04/2019

    Guedes: "Não estou dizendo que tem que internar quem não aprovar essa reforma (do governo)."

  • 19h49

    03/04/2019

    Oposição pede que Guedes retire declaração.

  • 19h48

    03/04/2019

     

    Deputados reagem contra a fala de Guedes sobre internamento.

  • 19h47

    03/04/2019

     

    "Quem acha que a reforma não é necessária é caso de internamento", diz Guedes.

  • 19h46

    03/04/2019

    Paulo Guedes retoma a palavra: "Não podemos ser contra a aritmética, contra os juros compostos, contra o crescimento econômico."

  • 19h44

    03/04/2019

     

    Deputado Van Hattem (NOVO-RS): "Nosso partido tem 8 deputados comprometidos com a reforma."

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