As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Efeito ‘telefone sem fio’ reduz impacto de campanhas em redes sociais

Em palestra, especialista em comunicação pela internet afirma que mensagens de marcas são consideradas inúteis pelo consumidor em 96% dos casos

Fernando Scheller

14 de junho de 2014 | 08h35

Em palestra durante o evento Lions Health, evento prévio ao Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade dedicado ao setor de saúde e medicamentos, Curtis Hougland afirmou que o motivo é um só: as empresas usam Twitter, Facebook e outros sites para falar delas mesmas, e não para manter um real diálogo com o cliente. O Estadão é o representante oficial de Cannes Lions no País.

Além disso, a maioria das pessoas está muito mais interessada no que seus amigos têm a dizer, e não em ouvir discursos das marcas. “Nas redes sociais, 94% do conteúdo compartilhado vêm dos consumidores, e não das companhias. Neste espaço, as empresas estão em desvantagem”, afirma.

Outra questão que não é levada em conta pelas empresas é que, no mundo online, a atenção do consumidor está cada vez mais dispersa. Ou seja: as pessoas “saltam” de um site para outro – redes sociais, páginas de empresas e blogs, por exemplo – e passam cada vez menos tempo em cada um deles. Neste processo, o potencial cliente vai trocando ideias com amigos na web, o que aumenta as chances de a mensagem original ser deturpada.

Telefone sem fio. É o que Hougland chama de efeito “telefone sem fio”. À medida em que a mensagem é compartilhada, os detalhes originais se perdem e esse repasse de conteúdo pode mudar completamente o sentido original. “Depois de três compartilhamentos, mais de 50% do sentido de uma campanha se perder”, diz o presidente da Attention. “Isso quer dizer que os marqueteiros estão dizendo uma coisa e o cliente está ouvindo outra.”

O especialista diz que, à medida que as recomendações de amigos na internet se tornam mais importantes no momento da compra, ter uma marca conhecida significa cada vez menos. “Como a minha comunidade de amigos é mais relevante do que qualquer marca, o mais importante é a propaganda boca a boca”, diz ele. Desta forma, atualmente, uma marca pouco conhecida pode se tornar conhecida em pouco tempo se muitas pessoas passarem a recomendá-la.

O segredo do uso das redes sociais, segundo Hougland, está na correta identificação das perguntas que os consumidores estão fazendo. Hoje, diz o especialista, há cerca de US$ 1 bilhão em vendas a serem feitas a partir das questões que as pessoas fazem sobre diabetes na internet. “O Google hoje é o ponto inicial de todas as descobertas. Por isso, os websites oficiais hoje são menos importantes. A partir do Google, o cliente segue para fóruns, blogs, sites e até para o You Tube, para ver imagens relativas às suas dúvidas”, explica.

Tudo o que sabemos sobre:

lions healthpublicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.