Marcas viram notícia ‘de carona’ em tópicos do Twitter
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Marcas viram notícia ‘de carona’ em tópicos do Twitter

Aproveitando assuntos 'quentes', agências conseguem um diálogo mais natural com o consumidor

Fernando Scheller

15 de junho de 2014 | 17h49

Joel Lunenfeld, do Twitter, e o ator Patrick Stewart

Encontrar o momento certo de iniciar um diálogo com o consumidor nas redes sociais pode ser uma tarefa difícil. Palestras realizadas em Cannes neste ano mostraram que, na maior parte das vezes, o conteúdo oferecido pelas marcas não agrada o consumidor. Por isso, algumas empresas passaram a seguir os temas “quentes” nas redes sociais, associando-se a eles, em vez de tentar iniciar um diálogo próprio, que muitas vezes soa artificial.

É o que fez a ONG Water is Life, que aproveitou uma hashtag popular nos Estados Unidos, #firstworldproblems (problemas de primeiro mundo), para elaborar uma campanha sobre populações com sérios problemas de acesso a água. Os “problemas” de primeiro mundo citados no Twitter com a hashtag falam de questões como carregadores de celulares que não funcionam, talões de cheque e empregadas domésticas.

A publicidade da ONG escolheu crianças e adultos de nações muito pobres para recitar frases como “Eu odeio quando meus assentos de couro não estão aquecidos” ou “Odeio quando eu esqueço meu carregador de celular no andar de baixo”. A campanha termina com a frase “problemas de primeiro mundo não são problemas” e pede doações para a organização.

Engajamento. Dentro de uma perspectiva mais comercial, a empresa de cartões de crédito American Express permitiu que clientes sincronizassem suas contas no Twitter com as informações de cartões – a ideia era “socializar” o consumo e também facilitar as transações. Apenas reproduzindo hashtags promocionais da Amex, os clientes podem autorizar a compra de qualquer lugar e receber o produto escolhido em casa.

No mundo das artes, dois atores do filme X-Men – Ian McKellen e Patrick Stewart – queriam chamar a atenção para suas peças que entrariam em cartaz na Broadway. Ambos foram ao Twitter para ganhar mídia, postando fotos na rede social vestidos como personagens de Esperando Godot, de Samuel Beckett, em pontos turísticos de Nova York. Com isso, usaram o próprio status de celebridade para promover um produto de “nicho”.

Stewart, conhecido por clássicos de Shakespare e personagens sombrios como o Professor X, de X-Men, e o Capitão Picard, de Jornada nas Estrelas, disse que o Twitter ajudou-o também a promover uma guinada de sua carreira. “Eu sempre fiz personagens muito profundos, mas sempre gostei de bobagens cômicas”, disse ele ontem, em evento do Cannes Lions. “Agora, estou feliz porque consegui o meu primeiro papel como protagonista em uma série de comédia.”

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