No Brasil, Dentsu transforma Age Isobar em Mcgarrybowen
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

No Brasil, Dentsu transforma Age Isobar em Mcgarrybowen

Agência brasileira será a quarta operação internacional da empresa nova-iorquina, que já está na China, na Alemanha e no Reino Unido

Fernando Scheller

19 de junho de 2014 | 15h31

Gordon Bowen (E) e Carlos Domingos, da Mcgarrybowen, em Cannes

 

A história da Age Isobar está terminando hoje. Ou melhor: começou um novo capítulo na vida da agência, que manterá a mesma equipe, que hoje tem 130 profissionais, mas vai atuar sob um novo nome, Mcgarrybowen. Esta será a primeira experiência de unificação de marcas de agências desde a fusão de US$ 5 bilhões entre os grupos Dentsu e Aegis, há dois anos.

O “casamento” foi celebrado na França, durante o Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade, evento do qual o Estadão é representante oficial no País.

A agência Mcgarrybowen foi fundada em 2002, em Nova York – na fusão, veio no “pacote” da Dentsu. A brasileira Isobar era da holding Aegis. O “namoro” entre as duas agências, que têm culturas semelhantes, prosperou ao longo dos últimos 12 meses, levando à “conversão” da marca brasileira. Segundo dados do Ibope, a Age comprou quase R$ 600 milhões em mídia no País em 2013.

Fundador da Age há 14 anos– que só oito anos mais tarde incorporou Isobar ao nome –, Carlos Domingos será o presidente e chefe da criação da Mcgarrybowen no Brasil. Uma das primeiras tarefas da “nova” agência será abrir um escritório no Rio. “Ninguém teve mais conflitos nesta mudança do que eu”, admite o publicitário. “Pensamos em até fazer algo gradual com a marca, mas queríamos evitar um nome muito complicado. Foi preciso desapegar. Os nossos horizontes ficam muito maiores agora.”

Sabendo da intenção da Mcgarrybowen de vir ao Brasil até mesmo sem clientes, a executiva Claudia Colaferro, presidente do grupo Dentsu Aegis para a América Latina, identificou a Age Isobar como uma forma de a marca de Nova York aportar no país sem começar do zero. Em comum, as duas empresas tinham a predominância do design em suas criações e o talento desenvolver produtos e soluções comerciais para os clientes, e não apenas campanhas.

A abertura da Mcgarrybowen no Brasil será a quarta operação internacional da companhia, que hoje já está em Londres (Reino Unido), Düsseldorf (Alemanha) e Xangai (China). “Acredito que a China e o Brasil são os mercados em que a presença é hoje obrigatória”, diz Gordon Bowen, fundador da agência. Segundo apurou o Estado, a empresa está de olho também no mercado indiano.

Dia a dia. O foco no design, explica Bowen, é justificado pela cultura cada vez mais visual do mundo. “Eu fui criado como redator, naquele mundo do seriado Mad Men, em que as palavras eram o mais importante”, diz. “Desde então, muita coisa mudou, o mundo se tornou muito mais visual. O design serve para deixar a mensagem mais clara.”

Nos Estados Unidos, a empresa tem se especializado em criar e lançar produtos. Um de seus clientes, a operadora americana Verizon, precisava resolver em uma semana um problema sério: o lançamento de um telefone desenvolvido em parceria com a Motorola e o Google para concorrer com o iPhone, que até então era exclusividade da AT&T no país.

Em uma semana, a companhia criou quatro campanhas e também batizou o produto. “Uma das nossas campanhas era direcionada à duração da bateria do Droid, que chegava a 48 horas”, lembrou Bowen. “Achamos que a campanha do Droid ajudou a Apple a liberar o acesso da Verizon ao iPhone antes do que se imaginava.”

‘Gêmeas’. Após a aproximação promovida por Claudia, Carlos Domingos diz ter percebido que a Age Isobar e a Mcgarrybowen eram “irmãs gêmeas”. A empresa, que tem no seu portfólio marcas como Bradesco, Adidas e Embratur, também se esforça para criar produtos e novas soluções comerciais para os clientes. Um dos exemplos é o Even Day, evento em que executivos se dedicam a vender imóveis do estoque da construtora com desconto.

Outra criação para a Even foi um “outlet” de imóveis que continua a funcionar em São Paulo. “Criamos uma experiência parecida com a de um shopping center, com ambientes bem definidos e agradáveis”, conta Domingos. “Acreditamos muito no design. O que a Apple nos mostrou é que um produto parece funcionar melhor.”

Tudo o que sabemos sobre:

cannes lionspublicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.