Crise aumenta o aperto e a “criatividade” de desempregados em Madri
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Crise aumenta o aperto e a “criatividade” de desempregados em Madri

karlamendes

13 de dezembro de 2012 | 14h46

  

Deparei-me com uma cena no mínimo “curiosa” quando fui pegar meu voo de volta ao Brasil. Ao descer do táxi no aeroporto de Barajas, em Madri, sofri uma espécie de “assédio” de vários homens, que ofereciam ajuda para carregar minhas malas. “Te ajudamos até a pesar as malas”, diziam.

Quando olhei ao redor, havia uma fila de homens, com os carrinhos de carregar bagagem a postos, na boca do desembarque de passageiros que vêm de táxi para o terminal 4 de Barajas, cheios de malas, para voar de Madri para a América Latina e Estados Unidos, principalmente.

Nos 10 meses que vivi na Europa, pude perceber muitas mudanças no dia a dia dos europeus, com o agravamento da crise econômica, que parece não ter data para acabar. Esse tipo de “serviço” no aeroporto, por exemplo, não existia no início do ano. Mas, com a falta de perspectiva e a aceleração dos índices de desemprego, os espanhóis estão tendo que usar a criatividade para ganhar algum dinheiro.

Nos meus últimos meses em Madri, notei também que no parque do Retiro, por exemplo, várias pessoas circulavam com sacolas cheias de cerveja, refrigerante e água nas áreas onde as pessoas costumam deitar na grama para relaxar, coisa que não acontecia quando cheguei à Espanha.

Outra mudança visível foi o aumento das pessoas pedindo dinheiro nas ruas do centro de Madri. Nos meus últimos dias na capital espanhola, caminhei muito nos pontos turísticos centrais da cidade e foi impossível não notar o número de pedintes. No metrô, que já é tradicional palco de apresentações musicais ou de venda de produtos, notei que o espaço passou a ser ocupado também por pessoas de classe média que perderam o emprego recentemente.

É isso. A crise parece um buraco negro para os espanhóis, que estão cada vez mais desanimados e sem perspectivas. Como passei quatro meses afastada de Madri, viajando por outros países da Europa, tive um almoço de despedida com os meus colegas do Expansión – o jornal econômico onde trabalhei por seis meses – e pude perceber a mudança radical do estado de ânimo das pessoas.

Ao mesmo tempo em que eles estavam curiosos para ouvir os relatos das minhas viagens Europa afora, ouvi coisas do tipo “não quero ouvir nada, Karla, pois vou ficar morrendo de inveja” ou “enquanto você viajava de um país outro, nós continuamos aqui, no mesmo lugar, só falando de notícias ruins” ou até mesmo “quando eu crescer, quero ser Karla Mendes”.

A partir de agora, o blog entra em uma nova fase. Continuarei relatando o que vi, vivi e ouvi na Europa, mas agora daqui do Brasil. O arsenal de informações que acumulei nesses 10 meses é imenso. Agradeço a todos vocês pela audiência do blog durante minha estadia na Europa e conto com a leitura e os comentários de vocês, agora, aqui no Brasil.

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