Juan Carlos: o rei na terra da crise

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Juan Carlos: o rei na terra da crise

karlamendes

16 de abril de 2012 | 15h02

 

 

A semana passada foi bastante crítica para a Espanha, que está mergulhada em uma crise sem precedentes. A curva de risco disparou, devido à desconfiança dos investidores no país. A crise da petroleira espanhola Repsol com o governo argentino se acirrou (o que levou a presidente Cristina Kirchner a decretar hoje a intervenção na YPF Repsol e enviar projeto ao Congresso para retomar parte do capital da antiga estatal do petróleo). Foi anunciado o aumento das tarifas de metrô, ônibus e trens metropolitanos em Madri, o que provocou revolta da população. E onde estava o rei Juan Carlos? Em um safari em Botsuana, na África, caçando elefantes, desde a última segunda-feira.

E os espanhóis só ficaram sabendo dessa “agenda particular” do rei na madrugada de sexta para sábado, quando Juan Carlos sofreu um acidente ao tropeçar em um degrau no quarto do hotel e teve que vir em um avião particular para Madri, onde foi operado. Resultado: teve que ser colocada uma prótese no quadril e ele terá que fazer repouso de 45 dias. E isso depois de o rei ter declarado recentemente que o índice de emprego entre os jovens, que atingiu o recorde histórico de 51% “lhe tirava o sono”. Sem falar que há uma semana seu neto Felipe Juan Froilán, de 13 anos, sofreu um acidente em que levou um tiro no pé com uma espingarda da família.

Os nervos dos espanhóis, porém, estão à flor da pele. E não é para menos. Como reagir diante da notícia de que o rei estava caçando elefantes enquanto o país passa por situações tão delicadas? No caso da crise diplomática com a Argentina, por exemplo, o mínimo que se esperava era que o rei, que na verdade é um “embaixador de luxo” interviesse diretamente nas negociações envolvendo uma das principais empresas do país.

A oposição, claro, teceu duras críticas. Representantes dos partidos socialistas afirmaram, em uníssono, que a postura do rei é o contrário do que deveria ter um representante da monarquia espanhola. E que chegou o momento de o rei Juan Carlos decidir entre as obrigações e deveres do cargo ou abdicá-las para desfrutar de uma “vida diferente”.

Outra pergunta que não se cala para essas “extravagâncias” do rei é quem está pagando a conta, que não é nada barata. Estima-se que só esse safari tenha custado cerca de 35 mil euros, ou mais de R$ 100 mil. Esse dinheiro saiu de onde? Dos cofres públicos? Há rumores por aqui que a conta foi paga por empresários que são frequentadores assíduos da Casa Real, que foram junto com sua majestade para o safari, em um avião privado. A Casa Real disse que não informou sobre a viagem por considerá-la privada. Durante o afastamento, o rei será representado por seu filho, o príncipe de Astúrias, Don Felipe.

Em outubro passado, os cidadãos espanhóis reprovaram, pela primeira vez, o regime da monarquia, ao avaliá-la com a nota de 4,89 em uma escala de 10, segundo o barômetro do Centro de Estudos de Investigações Sociológicas (CIS). Se a pesquisa fosse repetida hoje, a avaliação seria certamente pior, pois desses seis meses para cá, além de a situação econômica do país ter se esfacelado, vieram à tona escândalos de corrupção envolvendo o genro do rei, Iñaki Ungarin, casado com a princesa Cristina, em desvio de verba da instituição sem fins lucrativos Nóos, que ficou conhecido como “caso Nóos”.

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