Para trabalhadores imigrantes, muitas exigências, pouco salário

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Para trabalhadores imigrantes, muitas exigências, pouco salário

karlamendes

21 de março de 2012 | 14h38

 

Estive em Barcelona no último fim de semana e um amigo, que mora lá há quase dois anos e está há quase cinco na Europa, traçou um cenário da situação do mercado de trabalho para estrangeiros. Nos últimos anos, aumentou significativamente as exigências para as pessoas que buscam trabalho por aqui.

A formação? A melhor possível, com cursos e cursos de especialização. O idioma? Bom, como não falam catalão (a língua oficial de Barcelona e da região da Catalunha, que é muito difente do espanhol), o estrangeiro tem que ter um inglês de “nativo”. O espanhol também, claro, tem que ser impecável. E meu amigo me disse que há casos em que pedem até cinco idiomas!

Apesar de tantos requisitos, os salários estão na contramão. Por causa da crise, está muito difícil conseguir algum emprego para ganhar mais de 1.000 euros (cerca de R$ 2,5 mil). Meu amigo mesmo está esperando resposta de uma empresa que lhe exigiu português e italiano fluentes, além de espanhol e inglês, para receber no final do mês só 900 euros. “As exigências sao tao surrealistas que forçam os candidatos qualificados a buscarem alternativas de trabalho nos chamados sub-empegos”, relatou.

Outro agravante é que, se antes a concorrência no mercado de trabalho era entre os imigrantes, agora os estrangeiros que buscam trabalho aqui concorrem diretamente com os espanhois, consequência do índice de desemprego recorde de quase 24%, o que representa 5 milhoes de pessoas em toda a Espanha.

Meu amigo disse que a situação de Barcelona é pior que a de Madrid. E ele tem razão. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (que é o IBGE daqui) mostram que a região da Catalunha registrou a segunda maior queda de número de empregos no último trimestre de 2011: 69,8 mil, perdendo apenas para as ilhas Baleares (71 mil). Madri aparece con 52,3 mil.

Com muita bagagem de cursos e experiência profissional, sem conseguir uma ascensão no mercado de trabalho acompanhada de aumentos progressivos de salários, meu amigo está vivendo um grande dilema: ficar aqui ou voltar para o Brasil.

Na balança, pesa o fato de que aqui, mesmo com salários mais baixos, é possível ter mais qualidade de vida que no Brasil. Cidades integradas com sistemas de transporte que funcionam muito bem e por preços populares é um dos quesitos. O acesso à saúde e à educação, prioridades do governo, e o alto nível de segurança (apesar do aumento de ocorrências de furto com a crise) também pesam a favor daqui.

A questão, contudo, é se só isso o satisfará daqui para a frente. Sem perspectivas de um trabalho com o qual possa projetar-se para o futuro, inclusive financeiramente, ele fica sem grandes motivaçoes para permanecer em Barcelona. Decisão difícil…

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