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Rajoy paga nas urnas de Andaluzia e Astúrias o preço das reformas anticrise

karlamendes

27 de março de 2012 | 15h04

A crise vivida pela Espanha influenciou o resultados das eleições em Andaluzia e Astúrias realizadas no fim de semana. Pelo menos é o que me explicaram colegas de trabalho muito engajados politicamente. Aliás, quase todos os espanhóis que conheci até agora são super conectados com a política do seu país.

O que me disseram é que, principalmente em Andaluzia, a derrota do PP (partido do presidente Mariano Rajoy, caracterizado como de direita/extrema direita) foi uma espécie de “castigo” ao governo, uma reação às reformas feitas nos 100 primeiros dias da nova gestão: o aumento de impostos sobre a renda da pessoa física (que é o Imposto de Renda daqui) em dezembro e a reforma laboral anunciada no mês passado.

Em Andaluzia, especificamente, também há outro detalhe: historicamente sempre ganhou o PSOE, o partido socialista daqui. E desta vez não foi diferente, o que revela o desgaste eleitoral do PP em tão pouco tempo de governo.

Em Andaluzia o PP até ganhou as eleições, mas os 50 deputados eleitos, que correspondem a 40% dos votos deixou o partido longe da maioria absoluta pretendida. Por outro lado, o PSOE, com 47 deputados (39,5% dos votos) comemorou o resultado e deve chegar a um acordo com a Esquerda Unida, que elegeu 12 deputados, e conseguir a maioria para continuar no poder. Em Extremadura, os dois partidos já atuam unidos.

Em Astúrias aconteceu o contrário. O PSOE ganhou, o que é atribuído também às medidas adotadas por Rajoy, que não foram expostas à população com a devida clareza. Mas como o partido também não obteve maioria absoluta dos votos, a direita até poderia governar, mas o que se fala é que não há clima para um aliança com o PP depois do embate direto que o chefe do governo regional, Francisco Alvarez Cascos, abriu contra o governo Rajoy.

A situação econômica dessas comunidades autônomas é muito pior que a média do país, que tem uma taxa de desemprego de 22,8%. Em Andaluzia, que concentra 8,5 milhões dos 47 milhões de espanhóis, os desempregados já representam 30% da população. Outro agravante é que a região enfrenta o maior escândalo de corrupção no país: 1 bilhão de euros (R$ 2,4 bilhões) desviados dos fundos de auxílio aos desempregados, com envolvimento do presidente da região, José Antonio Griñán. Em Astúrias, que tem pouco mais de 1 milhão de habitantes, a taxa de desemprego é de quase 21%.

Apesar disso, Rajoy já anunciou que não congelará as reformas conômicas. O presidente anunciou que “A Espanha não pode ficar arada” e avisa que em abril haverá mais medidas de austeridade fiscal.

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