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Dilma defende estabilidade em diplomação

Estadão

18 de dezembro de 2010 | 00h00

João Domingos, Mariângela Gallucci e Vera Rosa / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Em cerimônia marcada por elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff recebeu ontem o diploma de presidente da República com a promessa de defender a liberdade de imprensa e de culto, honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e manter a estabilidade econômica.

Diante de 300 convidados, na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma exibiu um estilo bem diferente de Lula, com discurso menos emotivo. Ao contrário de seu padrinho político, que não conteve o choro nas duas vezes em que foi diplomado, a primeira mulher eleita presidente do Brasil – com 55.752.529 milhões de votos – segurou as lágrimas.

“Sei da responsabilidade de suceder um governante da estatura do presidente Lula. Sei dos imensos desafios que nosso futuro comporta, mas, se pensarmos o que cada um de nós pode fazer pelo Brasil, vamos descobrir uma força infinita, que a cada momento se alimenta e se renova”, afirmou ela.

Célere

No pronunciamento de seis minutos e meio, Dilma pregou a união do País para encontrar “novos e melhores caminhos” e disse que se empenhará para retribuir a confiança nela depositada. “Conto com todos e todas e todas e todos podem contar comigo”, garantiu.

Com um vestido e blazer azul royal – enfeitado com chamativa renda em tom bordô -, Dilma recebeu o diploma confeccionado pela Casa da Moeda das mãos do presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, logo após a execução do Hino Nacional.

“Pela vontade do povo brasileiro, expressa nas urnas em 31 de outubro de 2010, a candidata pela coligação ‘Para o Brasil seguir mudando’, Dilma Vana Rousseff, foi eleita presidente da República do Brasil”, diz o texto.

O vice-presidente eleito, Michel Temer, foi diplomado na mesma cerimônia, mas não discursou.

Comparações

Para Dilma Rousseff, o mesmo sentimento de esperança, ousadia e mudança que levou o povo a conduzir um metalúrgico ao Palácio do Planalto fez com que uma mulher fosse eleita presidente.

“Esse fato rompe com preconceitos, desafia os limites e enche de esperança um povo sofrido”, insistiu a eleita.

Ao destacar os seus projetos, a futura presidente reafirmou o compromisso com a estabilidade econômica e o investimento público, que, na sua avaliação, são necessários para o crescimento e o emprego.

Depois de uma campanha marcada pela polêmica do aborto e por embates com a imprensa, Dilma também fez questão de assegurar a liberdade de expressão.

“Defenderei sempre a liberdade de manifestação, de imprensa e de culto, mas reafirmo que nenhuma estratégia política ou econômica é efetiva se não se refletir, concretamente, na vida de cada trabalhador (…), de cada empresário, de cada família”, afirmou a presidente eleita.

Dilma Jane, mãe da presidente eleita, e a filha Paula foram as primeiras a abraçá-la. Até na sessão de cumprimentos, porém, a novela da composição do ministério foi tema de conversas.

“Fique tranquilo”, disse Dilma ao ministro do Esporte, Orlando Silva, que deve perder o posto e pode ocupar outro cargo, para cuidar apenas da Copa e dos Jogos Olímpicos. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha – cotado para assumir a Saúde – também era só sorrisos. “Mas minha felicidade não tem nada a ver com cargo”, explicava ele. “Eu trabalhei tanto para eleger a Dilma. Como não vou estar feliz?”

Coquetel

Após a diplomação, Dilma participou de um coquetel comemorativo à noite no Palácio do Itamaraty. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente eleita ficaram pouco mais de uma hora no local.

Ao subir a escadaria para o salão, o presidente não quis falar com a imprensa, afirmando ser o dia de Dilma. Só posou para fotos. Ao seu lado, a primeira-dama Marisa Letícia brincou: “Quando ele está comigo não fala”. Dilma disse que a escolha de ministros está perto do final, “Quase”, respondeu a repórteres.

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