Esforços inúteis do BC para melhorar a taxa cambial

Estadão

22 de janeiro de 2011 | 00h00

– O Estado de S.Paulo

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) elevando a taxa Selic, e dizendo, no comunicado, que esse aumento deve ser considerado como um retorno à elevação progressiva da taxa básica de juros, só poderia mesmo resultar em novo aumento da taxa de juros no mercado futuro.

O Banco Central (BC), consciente disso e das pressões inflacionárias resultantes, procurou amenizar esse risco ao vender, ontem, 20 mil contratos de swap reverso no valor de quase US$ 1 bilhão, com o propósito de regular o mercado futuro. A operação se justifica plenamente, uma vez que os movimentos do mercado futuro de juros repercutem sobre a taxa cambial à vista, e se sabe que um dos objetivos do BC é conseguir uma desvalorização do real ante o dólar. Mas a elevação da taxa Selic tem o efeito colateral de estimular as entradas especulativas suplementares de divisas estrangeiras em busca de operações de arbitragem.

Infelizmente, desde que o Copom tomou a sua decisão, está se observando que empresas brasileiras têm captado recursos financeiros importantes no mercado internacional, o que neutraliza os esforços que as autoridades monetárias procuram fazer para conter uma nova rodada de valorização do real.

De fato, depois da decisão do Copom, três empresas brasileiras captaram recursos no Exterior num montante de US$ 6,7 bilhões, valor que se acrescentou à captação que bancos brasileiros já haviam feito, antes da reunião do Copom, do que resultou uma entrada de divisas estrangeiras equivalente a mais de US$ 10 bilhões em janeiro.

Caberia, por isso, indagar: não haveria uma forma de distribuir melhor essas captações, para amenizar seus efeitos sobre a taxa cambial?

Parece-nos difícil que as autoridades monetárias intervenham em operações efetuadas por empresas privadas, que precisam de liberdade para decidir qual o melhor momento para a emissão de bônus no mercado internacional. No entanto, quando se trata de empresas controladas pelo governo, parece-nos prudente haver uma melhor coordenação dos lançamentos desses bônus no mercado externo.

A Petrobrás, por exemplo, lançou US$ 6 bilhões, embora tenha se mostrado muito reservada em 2010. Os outros lançamentos externo s realizados depois da reunião do Copom foram de empresas privadas, porém, antes da reunião, foi o Banco do Brasil que emitiu seus títulos no mercado do eurodólar. Todas essa emissões neutralizam os efeitos do swap reverso do BC.

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