Congresso discute mercado de fertilizantes

Estadão

30 de junho de 2011 | 20h46

CRÉDITO: EPITÁCIO PESSOA/AE

Diante de um aumento estimado em 70% na produção de alimentos – volume necessário, segundo a FAO, para atender a demanda da população mundial até 2050 –, o setor de fertilizantes tem se mobilizado para acompanhar esse cenário. Afinal, diz o diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), entidade representada por 123 empresas associadas, David Roquetti Filho, o adubo é item imprescindível para se elevar a produtividade no campo. “Tendo como referência o período de 2007 a 2009, o Brasil é o produtor agrícola com capacidade de mais rápido crescimento até 2019 (40%), com grande margem de diferença em relação a outros países”, diz o executivo.

“Nos últimos dois anos, a indústria nacional investiu US$ 1,5 bilhão não só no aumento da capacidade instalada de produção de fertilizantes, mas também na manutenção da infraestrutura das plantas industriais”, explicou o executivo, hoje, em visita ao Estado.

Hoje, conforme Roquetti Filho, o Brasil importa 70% do fertilizante consumido (NPK) – individualmente, o potássio (K) é o componente em que o País tem maior dependência externa: 92% são importados e apenas 8% são produzidos aqui. O Brasil possui apenas uma fonte do minério do qual se extrai o cloreto de potássio, localizado no Estado de Sergipe. “Cada componente vem de um lugar diferente, mas o Brasil importa da Rússia, China, Canadá, Estados Unidos…”

Segundo ele, o potencial do pré-sal é enorme para o País reduzir a dependência de nitrogênio importado. “A questão é que até isso se concretizar leva tempo”, avalia. “Temos como crescer, mas, para isso, temos que conhecer melhor nosso território”, afirmou, citando um dado espantoso: “Enquanto em outros países a prospecção de novas fontes de matéria-prima é feita a cada mil hectares, no Brasil essa prospecção é feita a cada 100 mil hectares. Lá fora, isso é feito pelo governo; aqui, pelas empresas.”

O mercado nacional de fertilizantes movimentou 24,5 milhões de toneladas em 2010, índice próximo ao recorde registrado em 2007, ano em que o consumo interno chegou a 24,6 milhões de toneladas. Hoje, o Brasil é o quarto maior consumidor de adubo do mundo, com 5,7% do total. A China, grande exportadora, também é a maior consumidora, com 33%.

No dia 12 de julho, na capital, o setor vai se reunir no 1.º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, para debater o mercado sob os pontos de vista de inovação e sustentabilidade. A programação será dividida em cinco painéis temáticos: mercado de fertilizantes sob o impacto da nova economia mundial, investimentos, inovação, o papel do fertilizante na sustentabilidade e marco regulatório.

O evento, promovido pela Anda, será realizado das 9 às 19 horas, na sede do Conselho Regional de Química (CRQ), r. Oscar Freire, 2.039, Pinheiros. Mais informações e inscrições pelo site www.anda.org.br/congresso.

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